Paulo Afonso · BA
Última hora
Operação prende 14 suspeitos em Salvador nesta manhãSTF retoma julgamento sobre marco temporal nesta tardeVitória empata em casa pela Copa do BrasilVagas de emprego no polo de Camaçari saltam 22%Salvador registra maior volume de chuva do mês
PI 637
Saúde

Tecnologia de vacinas Covid mostra avanço contra câncer de pele

Nova terapia experimental contra melanoma, usando tecnologia de mRNA de vacinas Covid, reduz risco de recorrência ou morte em quase 50%.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Saúde
21 de janeiro, 2026 · 14:15 3 min de leitura
(Imagem: Cryptographer/Shutterstock)
(Imagem: Cryptographer/Shutterstock)

Uma esperança surge na luta contra o câncer de pele mais perigoso, o melanoma. Pesquisadores estão usando a mesma tecnologia de RNA mensageiro (mRNA) que foi fundamental para as vacinas da Covid-19, mas de uma forma bem diferente, e os primeiros resultados são animadores.

Publicidade

Um estudo clínico experimental testou uma nova terapia que reduz em quase 50% o risco de o câncer de pele voltar ou levar à morte. O segredo? Usar o próprio tumor do paciente para ensinar o sistema imunológico a combatê-lo.

Como a tecnologia de mRNA está sendo usada contra o câncer?

Diferente das vacinas da Covid-19, que usam uma fórmula única, este novo tratamento é totalmente personalizado. Os cientistas analisam o DNA do tumor de cada pessoa para encontrar as mutações específicas. Em seguida, eles criam um mRNA que carrega instruções para o sistema imunológico identificar e atacar essas células cancerígenas.

O medicamento experimental se chama intismeran autogene, e é desenvolvido em parceria pela Moderna e a Merck. Ele foi testado junto com um imunoterápico já conhecido, o Keytruda, que já ajuda a combater vários tipos de câncer. A ideia é que o Keytruda ajude a manter a resposta imune ativa depois que o mRNA 'treinou' o corpo.

Resultados promissores em estudo com pacientes

Publicidade

O estudo acompanhou 157 pacientes que tinham melanoma, e que a doença tinha voltado ou se espalhado mesmo depois de uma cirurgia. Uma parte desses pacientes recebeu a combinação do tratamento com mRNA e o Keytruda, enquanto a outra parte usou apenas o Keytruda.

Após cinco anos de acompanhamento, o grupo que recebeu o tratamento combinado teve uma queda impressionante: cerca de 49% menos risco de o câncer reaparecer ou de o paciente morrer. É um resultado que acende uma luz de esperança.

Em relação à segurança, a Moderna informou que o tratamento combinado teve um perfil bem parecido com o do Keytruda sozinho. Os efeitos colaterais mais comuns foram cansaço, dor onde a injeção foi aplicada e calafrios. Não houve um aumento preocupante de reações graves.

Cuidado e esperança: o futuro do tratamento

Apesar de todos esses resultados serem muito positivos, especialistas ouvidos pelo Washington Post pedem um pouco de calma. Eles explicam que, embora o avanço seja significativo, um estudo maior está em andamento para confirmar esses dados. Os novos resultados devem ser divulgados em 2026 e serão cruciais para saber se a terapia pode, de fato, ser aprovada e usada em mais pessoas.

É importante lembrar que o melanoma é o tipo mais letal de câncer de pele. Nos Estados Unidos, por exemplo, surgem mais de 100 mil novos casos todos os anos. Se o câncer é descoberto bem no início, a chance de sobrevivência em cinco anos chega a ser de 95%. Mas, se ele se espalha para outros órgãos, essa taxa cai bastante, para cerca de 35%. Por isso, novas formas de tratamento como esta são tão vitais.

“Esta tecnologia abre um novo caminho, utilizando a capacidade do nosso próprio corpo para lutar contra uma doença tão complexa como o câncer”, disse um dos pesquisadores envolvidos, destacando o potencial da abordagem personalizada.

A combinação da tecnologia de mRNA com a imunoterapia representa um passo gigantesco na busca por tratamentos mais eficazes e direcionados para o melanoma, trazendo uma perspectiva muito positiva para o futuro da oncologia.

Leia também