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Saúde

Substância proibida no Brasil é testada como arma contra o alcoolismo em estudo da USP

Pesquisa com ibogaína mostra resultados promissores na redução do vício, mas cientistas alertam para riscos graves à saúde cardíaca.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Saúde
05 de maio, 2026 · 10:36 1 min de leitura

Uma pesquisa realizada no Hospital das Clínicas da USP, em Ribeirão Preto, trouxe novos dados sobre o uso da ibogaína para tratar a dependência de álcool. O estudo acompanhou nove voluntários e revelou que a substância, conhecida por seus efeitos alucinógenos, pode ajudar a reduzir o consumo de bebidas e até de drogas mais pesadas, como a cocaína.

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Dos participantes que passaram pelo tratamento, dois conseguiram ficar totalmente sem beber durante os três meses de acompanhamento após o experimento. Entre os que usavam cocaína, houve uma queda significativa na quantidade ou na frequência do consumo, o que animou a equipe de pesquisadores liderada por Juliana Mendes Rocha.

Apesar do otimismo inicial, a ibogaína é proibida no Brasil e exige uma autorização especial para ser usada em pesquisas. O processo para conseguir a liberação legal para este estudo durou cerca de dois anos e meio, devido ao rigor das autoridades sanitárias com o composto.

O grande alerta dos cientistas recai sobre a segurança. A substância está diretamente ligada ao risco de arritmias cardíacas e ainda não possui comprovação sólida de que é segura para uso clínico geral. Por ser um psicoativo potente, ela causa alterações fortes nas emoções e na percepção do tempo.

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A pesquisadora principal reforça que, embora os resultados sejam positivos, ainda não há evidências suficientes para que o tratamento seja oferecido em clínicas ou hospitais. O estudo serviu como um teste piloto e aponta que são necessárias análises muito mais profundas sobre dosagens seguras.

Atualmente, a ibogaína é utilizada em rituais religiosos e em alguns projetos isolados contra a dependência química, mas o uso sem acompanhamento médico rigoroso é extremamente perigoso. A ciência agora busca entender se os benefícios superam os riscos para quem luta contra o vício.

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