A saúde de crianças na Bahia está em alerta. Entre 1º de janeiro e 14 de dezembro de 2025, o estado registrou 2.859 falhas na assistência à saúde de pacientes de 0 a 11 anos. Os dados, que acendem um sinal amarelo, vêm de um levantamento da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), compilados e divulgados pela Sociedade Brasileira para a Qualidade do Cuidado e Segurança do Paciente (SOBRASP).
Esse cenário na Bahia reflete uma realidade que se estende por todo o país. No mesmo período, o Brasil inteiro viu mais de 459 mil eventos adversos e falhas em serviços de saúde, tanto públicos quanto privados. Desse total assustador, 47.853 ocorrências envolveram crianças com até 11 anos. Para ter uma ideia da evolução do problema, no ano anterior, foram 43.944 eventos nessa mesma faixa etária, indicando um aumento preocupante.
Por que tantas falhas na assistência às crianças?
A SOBRASP destaca que esses números mostram um quadro grave para os pacientes mais vulneráveis: as crianças. Nos hospitais e outras unidades de saúde, os principais motivos por trás desses problemas estão ligados a duas questões importantes que precisam de atenção:
- A comunicação falha entre os profissionais de saúde e os familiares. Muitas vezes, informações essenciais não são transmitidas de forma clara ou completa, gerando mal-entendidos.
- A pouca participação da própria criança (e de seus pais ou responsáveis) no seu cuidado. Quando a família não é envolvida ativamente, perde-se uma camada importante de segurança e acompanhamento.
Essa falta de envolvimento e a comunicação que não funciona direito acabam causando danos desnecessários. São situações como lesões na pele (conhecidas como lesões por pressão, que são danos causados na pele e nos tecidos moles), quedas dentro das unidades de saúde e, algo muito sério, a administração errada de medicamentos, que pode ter consequências graves para os pequenos.
A importância da participação de todos para a segurança
Para mudar essa realidade e melhorar a segurança nos cuidados com a saúde das crianças, é fundamental que o paciente, junto com seus familiares, participe ativamente das decisões. Isso significa que eles devem estar bem informados e conscientes de todo o processo.
“Desta forma, o paciente e seus familiares, em especial quando se trata de crianças e adolescentes, devem conhecer todo o plano de diagnóstico e tratamento delineado pela equipe de saúde, participando de ações como: prover todas as informações sobre histórico de doenças prévias, alergias e outras circunstâncias, identificar mudanças não planejadas ocorridas no cuidado, questionar ativamente as propostas de tratamento e acompanhar sua execução”, alertou a pediatra Priscila Amaral, que é membro da SOBRASP.
Essa participação vai além de apenas concordar com o tratamento. Significa, por exemplo, dar informações importantes sobre o histórico de saúde da criança, como doenças que ela já teve ou alergias que possui. Também é fundamental observar e apontar qualquer mudança no cuidado que não estava planejada, fazer perguntas sobre os tratamentos propostos e acompanhar de perto como tudo está sendo feito. Dessa forma, cria-se uma rede de segurança mais forte em torno da criança, garantindo que ela receba o melhor e mais seguro cuidado possível.







