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Saúde

Nutricionista da Sesau alerta: doença celíaca pode surgir em qualquer idade e diagnóstico precoce é essencial

Janine Mendonça, da Secretaria de Saúde, explica os sinais da doença, os riscos da contaminação cruzada e por que não se deve retirar o glúten antes de investigar com médico.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Saúde
17 de maio, 2026 · 12:58 3 min de leitura
Portal ChicoSabeTudo
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No Dia Mundial de Conscientização sobre a Doença Celíaca, celebrado em 16 de maio, a nutricionista Janine Mendonça, da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), reforçou um alerta importante: a condição autoimune pode aparecer em qualquer fase da vida — e não apenas na infância, como muita gente ainda acredita.

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A data foi escolhida para homenagear o médico inglês Samuel Gee, primeiro pesquisador a reconhecer que os sintomas da doença se relacionavam à dieta dos pacientes. No Brasil, a campanha Maio Verde, promovida pela Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), reforça desde 2018 a importância do diagnóstico precoce e da dieta sem glúten para controlar a condição.

Segundo Janine Mendonça, a doença celíaca é desencadeada pela ingestão de glúten, proteína presente no trigo, na cevada e no centeio. Em indivíduos com a condição, o consumo dessa proteína provoca uma resposta imunológica anormal que ataca a mucosa do intestino delgado, levando à destruição das vilosidades intestinais — estruturas responsáveis pela absorção de nutrientes como ferro, cálcio, vitaminas e proteínas.

A nutricionista chama atenção para a variedade dos sintomas, que vai muito além dos problemas intestinais. A doença pode permanecer silenciosa por anos e ainda assim causar sintomas persistentes como anemia inexplicável, inchaço abdominal, diarreia frequente, cansaço extremo, perda de peso e dificuldade de absorção de nutrientes. Manifestações menos conhecidas também incluem dermatite herpetiforme, irregularidade menstrual, alterações neurológicas e problemas no esmalte dentário.

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De acordo com Janine Mendonça, o diagnóstico envolve exames laboratoriais específicos para identificar anticorpos relacionados à doença. A confirmação se baseia na positividade de testes sorológicos — como anticorpos antitransglutaminase e antiendomísio — e, a depender dos resultados, pode ser necessária biópsia intestinal como complemento fundamental. A nutricionista da Sesau faz um alerta importante: retirar o glúten da alimentação antes da investigação médica pode comprometer os resultados dos exames. Por isso, qualquer suspeita deve ser avaliada antes de qualquer mudança na dieta.

Cerca de 2 milhões de brasileiros têm a doença celíaca. A prevalência relatada é de 0,5% a 1% da população geral, e muitos casos não são detectados devido a sintomas variados e à pouca consciência sobre a doença. Quanto mais tarde o diagnóstico, maiores os riscos: o atraso aumenta a probabilidade de desenvolvimento de doenças autoimunes associadas e até mesmo de linfoma intestinal, um tipo raro de câncer.

Segundo as orientações da nutricionista da Sesau, o único tratamento eficaz disponível é a exclusão total e permanente do glúten da alimentação. Uma dieta rigorosa e permanente sem glúten permite a regeneração da mucosa intestinal e reduz significativamente o risco de complicações como desnutrição, osteoporose, infertilidade e linfoma intestinal.

A atenção à contaminação cruzada é parte fundamental do tratamento. Torradeiras, peneiras, tábuas e até potes de manteiga, requeijão e geleia podem ser contaminados por migalhas de pão comum. Janine Mendonça destaca que utensílios, superfícies e até o óleo de fritura compartilhados com alimentos que contêm glúten representam risco real para o celíaco.

Na hora de montar o cardápio, há boas opções naturalmente seguras. Arroz, feijão, carnes, ovos, frutas, legumes, verduras, raízes, castanhas e sementes são naturalmente sem glúten quando não há contaminação cruzada. Por lei federal (Lei nº 10.674, de 16 de maio de 2003), todos os alimentos industrializados são obrigados a informar em seus rótulos a presença ou não de glúten.

A nutricionista da Sesau ressalta que, embora não exista forma de prevenir a doença celíaca por conta de sua forte base genética, com diagnóstico precoce e adesão adequada à dieta, pessoas com a condição podem levar uma vida normal e saudável — desde que o acompanhamento médico e nutricional seja mantido para monitorar a recuperação intestinal e prevenir deficiências nutricionais.

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