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Saúde

Mel com aparência normal pode esconder perigo real: saiba o que contamina o produto e quem corre mais risco

Instituto sergipano emite alerta sobre os principais agentes de contaminação do mel e reforça proibição total do alimento para bebês menores de 1 ano.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Saúde
18 de maio, 2026 · 14:16 3 min de leitura
Potes de mel sobre superfície de madeira, representando alimento que pode ser adulterado ou contaminado
Potes de mel sobre superfície de madeira, representando alimento que pode ser adulterado ou contaminado

O mel é um dos alimentos mais associados a saúde e bem-estar, mas pode esconder riscos sérios quando contaminado ou adulterado. O alerta veio do Instituto Tecnológico e de Pesquisas do Estado de Sergipe (ITPS), que identificou quatro principais ameaças ao produto: a bactéria Clostridium botulinum, resíduos de agrotóxicos, metais pesados e fungos.

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Segundo informações divulgadas pelo ITPS, bebês menores de 1 ano não devem consumir mel em hipótese alguma. A razão é o risco de botulismo infantil. O intestino de um recém-nascido ainda está desenvolvendo sua microbiota protetora e possui baixa acidez gástrica — sem essas defesas, os esporos da bactéria Clostridium botulinum encontram o ambiente perfeito para germinar e liberar toxinas no organismo.

Esse processo resulta no botulismo infantil, uma doença que ataca o sistema nervoso e compromete os movimentos básicos da criança. Muitas pessoas acreditam que ferver o mel ou comprar marcas famosas elimina o risco, mas os esporos são extremamente resistentes ao calor — o processo de pasteurização comercial comum não atinge as temperaturas necessárias para esterilizar o produto contra essa bactéria específica.

Para adultos e crianças maiores, o perigo muda de perfil, mas não desaparece. Se contaminado, o mel pode causar irritações nas vias aéreas e desencadear alergias respiratórias em pessoas que são vulneráveis a fungos, como bolores e leveduras. Já a adulteração com açúcar ou amido representa outro tipo de ameaça: a adulteração do mel pode trazer riscos à saúde, especialmente para pessoas com doenças crônicas como diabetes e hipertensão.

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O problema da fraude no mel é mais comum do que parece. Uma pesquisa da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), realizada no campus de Itapetinga, investigou a qualidade de méis comercializados em feiras livres das cidades de Itapetinga e Itororó e revelou que 90% das amostras analisadas apresentaram contaminação, como a adição de açúcares e amidos.

Identificar o mel adulterado não é simples. Ao comprar o mel, os consumidores não conseguem distinguir, a olho nu, se o produto é puro ou adulterado, devido à ampla variedade de características presentes no alimento, como a cor e a densidade, por exemplo. A coordenadora do Laboratório de Bromatologia do ITPS, Karina Magna Leão, destaca que somente análises laboratoriais garantem segurança real ao consumidor.

Segundo o ITPS, no laboratório são analisados parâmetros como umidade, acidez, teor de açúcares, presença de sacarose e atividade enzimática, além de testes sensoriais de sabor e aroma. Todos esses critérios devem estar dentro dos padrões exigidos pelo Ministério da Agricultura e pela Anvisa.

O mais seguro é comprar mel com selo dos Serviços de Inspeção Sanitária do produto, com garantia de que o produto não é falsificado, segundo especialistas da Embrapa ouvidos sobre o tema. Pesquisadores recomendam que os consumidores deem preferência a produtos inspecionados pelos órgãos competentes, já que "os méis regulamentados são comercializados com rótulo, selo de inspeção, número de lote e embalagens adequadas".

No Nordeste, a apicultura é atividade importante para a geração de renda. Segundo dados do IBGE divulgados pelo ITPS, a produção de mel em Sergipe atingiu R$ 4,1 milhões em 2024, alta de 144% em relação aos quatro anos anteriores, com 192 toneladas produzidas. Esse crescimento reforça a necessidade de rigor no controle de qualidade para proteger tanto o consumidor quanto os produtores sérios da região.

Denúncias sobre mel sem inspeção ou com indícios de adulteração podem ser feitas à Vigilância Sanitária do município ou pelo canal da Ouvidoria do Ministério da Agricultura (MAPA), pelo WhatsApp (61) 99696-1912 ou pelo e-mail [email protected].

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