O mel é um dos alimentos mais associados a saúde e bem-estar, mas pode esconder riscos sérios quando contaminado ou adulterado. O alerta veio do Instituto Tecnológico e de Pesquisas do Estado de Sergipe (ITPS), que identificou quatro principais ameaças ao produto: a bactéria Clostridium botulinum, resíduos de agrotóxicos, metais pesados e fungos.
Segundo informações divulgadas pelo ITPS, bebês menores de 1 ano não devem consumir mel em hipótese alguma. A razão é o risco de botulismo infantil. O intestino de um recém-nascido ainda está desenvolvendo sua microbiota protetora e possui baixa acidez gástrica — sem essas defesas, os esporos da bactéria Clostridium botulinum encontram o ambiente perfeito para germinar e liberar toxinas no organismo.
Esse processo resulta no botulismo infantil, uma doença que ataca o sistema nervoso e compromete os movimentos básicos da criança. Muitas pessoas acreditam que ferver o mel ou comprar marcas famosas elimina o risco, mas os esporos são extremamente resistentes ao calor — o processo de pasteurização comercial comum não atinge as temperaturas necessárias para esterilizar o produto contra essa bactéria específica.
Para adultos e crianças maiores, o perigo muda de perfil, mas não desaparece. Se contaminado, o mel pode causar irritações nas vias aéreas e desencadear alergias respiratórias em pessoas que são vulneráveis a fungos, como bolores e leveduras. Já a adulteração com açúcar ou amido representa outro tipo de ameaça: a adulteração do mel pode trazer riscos à saúde, especialmente para pessoas com doenças crônicas como diabetes e hipertensão.
O problema da fraude no mel é mais comum do que parece. Uma pesquisa da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), realizada no campus de Itapetinga, investigou a qualidade de méis comercializados em feiras livres das cidades de Itapetinga e Itororó e revelou que 90% das amostras analisadas apresentaram contaminação, como a adição de açúcares e amidos.
Identificar o mel adulterado não é simples. Ao comprar o mel, os consumidores não conseguem distinguir, a olho nu, se o produto é puro ou adulterado, devido à ampla variedade de características presentes no alimento, como a cor e a densidade, por exemplo. A coordenadora do Laboratório de Bromatologia do ITPS, Karina Magna Leão, destaca que somente análises laboratoriais garantem segurança real ao consumidor.
Segundo o ITPS, no laboratório são analisados parâmetros como umidade, acidez, teor de açúcares, presença de sacarose e atividade enzimática, além de testes sensoriais de sabor e aroma. Todos esses critérios devem estar dentro dos padrões exigidos pelo Ministério da Agricultura e pela Anvisa.
O mais seguro é comprar mel com selo dos Serviços de Inspeção Sanitária do produto, com garantia de que o produto não é falsificado, segundo especialistas da Embrapa ouvidos sobre o tema. Pesquisadores recomendam que os consumidores deem preferência a produtos inspecionados pelos órgãos competentes, já que "os méis regulamentados são comercializados com rótulo, selo de inspeção, número de lote e embalagens adequadas".
No Nordeste, a apicultura é atividade importante para a geração de renda. Segundo dados do IBGE divulgados pelo ITPS, a produção de mel em Sergipe atingiu R$ 4,1 milhões em 2024, alta de 144% em relação aos quatro anos anteriores, com 192 toneladas produzidas. Esse crescimento reforça a necessidade de rigor no controle de qualidade para proteger tanto o consumidor quanto os produtores sérios da região.
Denúncias sobre mel sem inspeção ou com indícios de adulteração podem ser feitas à Vigilância Sanitária do município ou pelo canal da Ouvidoria do Ministério da Agricultura (MAPA), pelo WhatsApp (61) 99696-1912 ou pelo e-mail [email protected].







