A Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas (Sesau) divulgou nesta quarta-feira (3) o resultado do exame sorológico realizado no caso de Evilly Vitória, de 17 anos. O laudo, elaborado pelo Laboratório Central de Alagoas (Lacen-AL), confirmou que a adolescente estava com dengue grave quando morreu, em 22 de abril, no Complexo Hospitalar Manoel André (Chama), em Arapiraca, no Agreste alagoano.
A divulgação veio mais de um mês após o óbito e encerrou uma controvérsia pública. Logo depois da morte, a Secretaria Municipal de Saúde de Arapiraca havia negado que dengue hemorrágica fosse a causa do falecimento, informando que o caso ainda estava sob investigação epidemiológica e laboratorial. Um exame de PCR realizado anteriormente teve resultado negativo para dengue, o que levou as autoridades a aguardar o teste sorológico.
A história de Evilly começou com sintomas aparentemente comuns. A primeira ida à UPA ocorreu no dia 9 de abril e a última no dia 19, sendo que somente na terceira consulta foram realizados exames de sangue mais detalhados. A jovem foi atendida na unidade pelo menos três vezes, segundo familiares, que acusam a UPA do bairro Itapuã de negligência médica. A mãe de Evilly, Jennifer Rocha, afirmou que a filha apresentou sintomas conhecidos da dengue, mas o diagnóstico adequado foi confirmado somente após longa espera.
No último atendimento, em 19 de abril, Evilly apresentava vômito, dor abdominal e dor no corpo. Após receber atendimento e medicamentos, foi identificada plaquetopenia — diminuição das plaquetas sanguíneas, fator que aumenta o risco de sangramentos. Ela foi encaminhada em estado grave ao hospital, ficou internada na UTI, o quadro evoluiu com necessidade de intubação e episódios de parada cardíaca, e a adolescente morreu no dia 22 de abril.
Evilly era estudante do terceiro ano do ensino médio e planejava ingressar no curso de Direito para se tornar advogada criminalista. O falecimento interrompeu esses planos e deixou familiares e amigos em luto. A família informou que pretende entrar com uma ação judicial contra o Estado.
A confirmação do diagnóstico reforça o alerta sobre os riscos da dengue mesmo em um ano de queda nos números. Dados do Ministério da Saúde indicam que os casos de dengue registrados no Brasil nos primeiros meses de 2026 caíram 75% em relação ao mesmo período do ano passado — de janeiro a 11 de abril, foram notificados 227,5 mil casos prováveis contra 916,4 mil no mesmo intervalo de 2025. Mesmo assim, mortes continuam ocorrendo, especialmente quando o diagnóstico demora.
Após a divulgação do resultado, a Sesau reforçou o alerta à população: quem sentir febre, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, dores no corpo, manchas na pele, náuseas ou vômitos deve buscar atendimento médico sem demora. A secretaria também orienta a eliminar focos do mosquito Aedes aegypti, evitando água parada em pneus, vasos, garrafas, caixas-d'água e calhas. O Ministério da Saúde já aplicou 1,4 milhão de doses de vacina contra a dengue em crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, público-alvo que recebe o imunizante desde 2024. A vacinação, quando disponível, deve ser buscada nos postos de saúde.







