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Saúde

Estudo revela: jovens de 25 a 29 anos lideram internações por saúde mental na Bahia

Um estudo da Fiocruz mostra que jovens entre 25 e 29 anos na Bahia têm a maior taxa de internações por transtornos mentais. Homens jovens são os mais afetados.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Saúde
10 de dezembro, 2025 · 03:02 4 min de leitura
Foto: Imagem Ilustrativa. Marcello Casal/Agência Brasil
Foto: Imagem Ilustrativa. Marcello Casal/Agência Brasil

Um novo estudo divulgado pela Fiocruz trouxe um alerta importante para a saúde da juventude na Bahia: a faixa etária dos 25 aos 29 anos é a que mais interna por transtornos mentais e comportamentais no estado. Esse grupo apresenta uma taxa de 291,8 internações para cada 100 mil habitantes, mostrando a urgência de olhar para essa fase da vida.

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A informação faz parte do Informe II - Saúde Mental, um dos relatórios que a renomada Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) prepara para entender a situação da saúde da juventude brasileira, que abrange pessoas de 15 a 29 anos. Os dados consideram o período de janeiro de 2022 a novembro de 2023.

Depois dos 25 aos 29 anos, a segunda maior taxa de internação entre os jovens aparece na faixa dos 20 aos 24 anos, com 246,5 por 100 mil habitantes. Já os adolescentes de 15 a 19 anos registraram a menor taxa nesse recorte, com 101,9 por 100 mil habitantes.

Mas o problema da saúde mental não se restringe apenas à juventude. O levantamento também mostra que pessoas com 30 anos ou mais apresentaram uma taxa de 242,5 internações por 100 mil habitantes, e crianças com menos de 15 anos registraram 10 internações para cada 100 mil habitantes.

Perfil dos Internados: Homens Lideram

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Quando olhamos para o perfil de quem mais precisa de internação, os homens jovens estão na frente. A juventude masculina na Bahia teve uma taxa de 429,7 internações para cada 100 mil habitantes, um número bem maior do que a taxa da juventude feminina, que foi de 146,5 por 100 mil habitantes. Essa realidade não é exclusiva da Bahia; nacionalmente, a taxa de internação para homens jovens é 57% mais alta que a das mulheres.

Em outros grupos, meninas com menos de 15 anos tiveram uma taxa de 12,7 internações por 100 mil, enquanto mulheres com mais de 30 anos registraram 191,8 por 100 mil. Entre os meninos com menos de 15 anos, a taxa foi de 19,6 por 100 mil e, para homens com mais de 30 anos, o número saltou para 515,9 por 100 mil.

Mesmo com essa liderança masculina nas internações, a Bahia aparece em uma posição um tanto melhor no cenário nacional para homens jovens. Entre as 27 Unidades da Federação, o estado ficou na quarta posição com a menor taxa de internação para o sexo masculino juvenil (429,7 por 100 mil habitantes) no período de janeiro de 2022 a novembro de 2023.

A Bahia ficou atrás apenas de:

  • Amapá (130,8 por 100 mil habitantes)
  • Amazonas (209,6 por 100 mil habitantes)
  • Roraima (298,4 por 100 mil habitantes)

Para as mulheres jovens, a Bahia também se destacou, mas de forma positiva. O estado registrou a quarta menor taxa de internação para o público feminino juvenil entre todas as unidades federativas. Curiosamente, a taxa de internação para mulheres jovens de 25 a 29 anos na Bahia (183,4 por 100 mil habitantes) foi menor do que a taxa para mulheres com 30 anos ou mais.

Atenção Primária à Saúde: Onde a Bahia Precisa Melhorar

O estudo da Fiocruz não olhou só para as internações. Ele também analisou como estão os atendimentos de saúde mental na Atenção Primária à Saúde (APS), que é a porta de entrada para o sistema. Nesse quesito, a Bahia ficou na sexta posição com a menor proporção de atendimentos de saúde mental para a juventude (15 a 29 anos) entre 2022 e 2024.

No estado, apenas 6,87% do total de atendimentos na APS para jovens eram relacionados à saúde mental. Esse número está abaixo da média nacional, que é de 11,34%. Isso significa que, na Bahia, os jovens estão recebendo menos suporte inicial para questões de saúde mental.

No total, foram 417.417 atendimentos focados em saúde mental nas unidades baianas, dentro de um total de 6.078.814 atendimentos gerais. Estados como Minas Gerais (16,35%) e Santa Catarina (15,93%) mostram percentuais bem mais altos de atendimentos de saúde mental na APS, servindo como referência do que pode ser alcançado.

Os dados da Fiocruz acendem um sinal de alerta e mostram a importância de fortalecer as políticas públicas e os serviços de saúde mental, especialmente na atenção primária, para garantir que os jovens baianos recebam o apoio necessário e adequado.

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