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Saúde

Estudo: antecipar CAR-T melhora cura e reduz custos no linfoma

Estudo da UFPR indica que usar CAR-T mais cedo no linfoma pode elevar cura a 50–60% em 2 anos e reduzir custos em até R$1,3 milhão por paciente.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Saúde
02 de novembro, 2025 · 10:08 2 min de leitura
CAR-T pode ser mais eficiente e econômica contra o câncer quando usada cedo,aponta pesquisa (Imagem: Mohammed Haneefa Nizamudeen / iStock)
CAR-T pode ser mais eficiente e econômica contra o câncer quando usada cedo,aponta pesquisa (Imagem: Mohammed Haneefa Nizamudeen / iStock)

Um estudo da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba, sugere que antecipar a terapia celular CAR‑T no tratamento do linfoma difuso de grandes células B pode melhorar resultados clínicos e reduzir custos. A pesquisa, liderada por Samir Nabhan, foi apresentada no Congresso Brasileiro de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular e publicada no Journal of Medical Economics.

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Na prática habitual, o tratamento começa com quimioterapia combinada e imunoterapia (R‑CHOP). Se houver recidiva, vêm linhas de segunda intenção mais agressivas — por exemplo, quimioterapia intensificada ou transplante autólogo — e a CAR‑T costuma ficar como recurso tardio. Faz sentido deixar esse recurso para o fim, ou seria melhor usá‑lo mais cedo?

A terapia CAR‑T funciona assim: recolhem os linfócitos T do próprio paciente, modificam‑nos em laboratório para reconhecer e atacar as células cancerígenas, e depois os reinfundem no organismo. Esse processo normalmente exige centros especializados e, em muitos casos, etapas realizadas fora do país.

Principais achados

  • Economia média de R$ 194 mil por paciente quando a CAR‑T foi aplicada antes do uso de epcoritamab;
  • Redução estimada de até R$ 1,3 milhão por paciente quando a terapia foi usada já na segunda linha;
  • Menor necessidade de novas internações e de tratamentos adicionais;
  • Aumento das taxas de cura para cerca de 50% a 60% em dois anos, ante aproximadamente 20% antes da disponibilidade da CAR‑T.

Os autores também ressaltaram limites práticos: a CAR‑T ainda não está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) e permanece restrita à rede privada, dependendo de cobertura por planos ou de pagamento direto. A expansão enfrenta desafios como a complexidade da infraestrutura e a necessidade de centros especializados.

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Instituições brasileiras, como a Fiocruz e o Instituto Butantan, trabalham no desenvolvimento de versões nacionais da terapia com a intenção de reduzir custos e a dependência de insumos importados — uma aposta para tornar o tratamento mais acessível no futuro.

Em resumo: o estudo apresenta um argumento clínico e econômico a favor de antecipar a CAR‑T em alguns cenários, mas a adoção em larga escala depende de investimentos em capacidade local e de políticas que tornem a tecnologia efetivamente acessível.

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