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Saúde

Cientistas desvendam segredo do oceano que resfriou a Terra há milhões de anos

Pesquisadores descobriram que a variação do cálcio nos oceanos, ligada à geologia do fundo do mar, pode ter sido crucial para os resfriamentos da Terra, afetando o carbono.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Saúde
23 de janeiro, 2026 · 16:54 3 min de leitura
Um mistério de 66 milhões de anos sobre como nosso planeta se transformou de uma estufa tropical no mundo com polos de gelo que conhecemos hoje foi desvendado por cientistas. Crédito: buradaki - Shutterstock
Um mistério de 66 milhões de anos sobre como nosso planeta se transformou de uma estufa tropical no mundo com polos de gelo que conhecemos hoje foi desvendado por cientistas. Crédito: buradaki - Shutterstock

Por muito tempo, a ciência se perguntou sobre os períodos de resfriamento que a Terra viveu no passado distante. Como o planeta conseguiu esfriar tanto, e de onde veio essa "força" natural? Uma nova pesquisa, publicada na prestigiada revista Proceedings of the National Academy of Sciences, traz uma resposta surpreendente, apontando para o fundo do mar como o grande regulador climático.

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Cientistas de várias partes do mundo, incluindo pesquisadores da Universidade de Tongji, na China, e da Rutgers University, nos Estados Unidos, usaram modelos de computador para descobrir que as mudanças na quantidade de cálcio dissolvido nos oceanos tiveram um papel fundamental. Essa variação de cálcio mexeu com a forma como a vida marinha capturava e enterrava o carbono, influenciando diretamente a atmosfera e o clima do nosso planeta.

O Papel Crucial do Cálcio e da Vida Marinha

Para entender essa descoberta, imagine pequenos corais e o plâncton – minúsculos organismos marinhos. Eles constroem suas conchas e esqueletos usando carbonato de cálcio. Quando há muito cálcio disponível na água do mar, esses organismos conseguem "prender" mais carbono em suas estruturas. Depois que eles morrem, esse carbono fica enterrado no fundo do oceano em sedimentos por milhões de anos. É como um grande aspirador de pó natural que tira o gás carbônico da atmosfera e o guarda lá no fundo.

“Usando modelos computacionais, a equipe demonstrou que altos níveis de cálcio alteram a quantidade de carbono ‘fixada’ pela vida marinha, como corais e plâncton”, explicou Evans, um dos pesquisadores.

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A coautora Xiaoli Zhou, da Universidade de Tongji, reforça a ideia:

“O processo efetivamente retira o dióxido de carbono da atmosfera e o armazena.” Ela ainda acrescenta que “essa mudança pode ter alterado a composição da atmosfera, diminuindo efetivamente a temperatura do planeta”.

A Conexão com a Geologia Profunda

Mas o que fez a quantidade de cálcio variar? A pesquisa aponta para a geologia do fundo do mar. Os cientistas perceberam que a desaceleração da expansão do fundo oceânico coincidiu com a queda do cálcio na água do mar. O fundo do mar está em constante movimento, criando nova crosta oceânica. Quando esse processo fica mais lento, a troca química entre as rochas e a água do mar muda, e isso reduz gradualmente o cálcio dissolvido. Menos cálcio significa que os organismos marinhos "prendem" menos carbono, alterando o ciclo global e, consequentemente, o clima.

Para o coautor Yair Rosenthal, da Rutgers University, essa descoberta muda a forma como pensamos sobre o clima.

“A química da água do mar é normalmente vista como algo que responde a outros fatores que levam a mudanças em nosso clima, em vez de ser a causa em si.” Ele conclui que “é possível que as mudanças nesses processos profundos da Terra sejam, em última análise, responsáveis por grande parte das grandes mudanças climáticas que ocorreram ao longo do tempo geológico”.

Entendendo o Passado para Prever o Futuro

Essa nova visão nos mostra que a regulação do clima da Terra não depende apenas do que acontece na atmosfera ou na superfície. Processos lentos e contínuos, vindos do interior do planeta e do fundo do oceano, também são peças chave. Ao juntar a biologia marinha, a química da água do mar e a movimentação das placas tectônicas, o estudo nos dá um "mapa" mais completo de como o carbono circulou por milhões de anos.

Mesmo tratando de um passado muito distante, as descobertas têm grande valor para o presente. Compreender esses "bastidores" do ciclo do carbono nos ajuda a ter um diagnóstico mais preciso das mudanças climáticas atuais e suas consequências para os ecossistemas, a agricultura e a saúde das pessoas. Com uma previsão climática mais apurada, podemos nos preparar melhor para eventos extremos, como ondas de calor, e criar políticas ambientais mais eficazes, buscando um futuro com mais bem-estar para todos.

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