O Ministério da Saúde detalhou e ampliou, após a proibição das bets, a estratégia nacional para acompanhar pessoas com sinais de problemas relacionados às apostas. A apresentação foi feita pelo ministro Alexandre Padilha durante agenda oficial em Belo Horizonte, em 26 de setembro de 2026. Políticas de busca ativa já eram realizadas desde dezembro de 2025.
A procura por tratamento contra a ludopatia no SUS teve alta superior a 600%, segundo informação divulgada pelo Ministério da Saúde. Esse dado se refere à procura por tratamento. Já a página oficial da pasta registra crescimento de cerca de 140% nos atendimentos relacionados a jogo patológico e problemas com apostas entre 2018 e 2025. São indicadores diferentes, com períodos e bases de comparação distintos.
Para traçar perfis comportamentais, o governo cruzou dados de CPFs cadastrados em sites de apostas que operavam no país. A busca ativa também usa informações compartilhadas pelos ministérios da Fazenda e da Justiça e pela Receita Federal. Os dados circulam no ambiente Nuvem Brasil, sob responsabilidade do Ministério da Saúde, seguindo a Lei Geral de Proteção de Dados e as regras de ética na saúde.
Depois do levantamento, o Ministério da Saúde passou a enviar notificações aos celulares de pessoas cadastradas, com oferta de consultas virtuais de saúde mental. O serviço também está disponível para familiares afetados por problemas relacionados às apostas.
O teleatendimento é integrado à Rede de Atenção Psicossocial. O acesso ocorre pelo aplicativo Meu SUS Digital, com redirecionamento para o AgSUS. As consultas são feitas por equipes multidisciplinares com psicólogos, enfermeiros e profissionais especializados em escuta qualificada.
“Mandamos mensagem para esses CPFs chamando para o teleatendimento, ofertando consulta no Sistema Único de Saúde. Abrimos o serviço não só para quem está com o vício, mas para os familiares afetados”, afirmou Alexandre Padilha.
Outra ferramenta é a Plataforma Centralizada de Autoexclusão, criada em dezembro de 2025. Mais de 1,5 milhão de brasileiros solicitaram o bloqueio voluntário do próprio CPF para impedir o acesso a sites de apostas.
Levantamentos do Ministério da Saúde em parceria com a Fazenda apontam que a maioria dos apostadores é formada por homens. Mulheres jogadoras e familiares de pessoas com problemas relacionados ao jogo estão entre os grupos que mais procuram suporte psicológico na rede pública.
Se você ou alguém que você conhece precisa de apoio emocional, o CVV oferece atendimento gratuito e sigiloso 24 horas por dia pelo telefone 188, além de chat e e-mail no site cvv.org.br.
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