A prefeitura de Barreiras, no Extremo Oeste da Bahia, deu largada a um programa itinerante voltado ao diagnóstico e acompanhamento da doença de Chagas em comunidades da zona rural. A iniciativa busca descentralizar o atendimento especializado, que até então estava concentrado no Centro de Especialidades Leonídia Ayres de Almeida, referência regional na assistência à doença.
A primeira ação aconteceu na última terça-feira (22) na Unidade de Saúde da Família Gerson Rodrigues do Nascimento, na comunidade do Riachinho. Segundo informações divulgadas pela prefeitura, 60 pacientes previamente agendados receberam triagem clínica, avaliação cardiológica e análise de exames complementares, incluindo eletrocardiograma e radiografia de tórax.
Além dos atendimentos agendados, a equipe aplicou 100 testes rápidos em pessoas que chegaram por livre demanda. Os testes foram fornecidos pela Fiocruz Nacional, parceira da ação. Estudantes da Universidade Federal do Oeste da Bahia (Ufob) também participaram da mobilização — parceria que já vem sendo construída há algum tempo: o programa conta com o apoio da Ufob para o desenvolvimento de pesquisas científicas, com duas dissertações de mestrado em andamento, além de outras três pesquisas acadêmicas e oito projetos de iniciação científica voltados ao estudo da doença em Barreiras e na região.
O cardiologista Carlos Eduardo, responsável técnico do Programa Municipal de Doença de Chagas, explicou que o modelo divide os pacientes em dois grupos: os com a forma crônica determinada passam a integrar o programa para acompanhamento especializado, enquanto aqueles com a forma indeterminada seguem sendo monitorados pela Atenção Primária, com exames periódicos.
A secretária municipal de Saúde, Larissa Barbosa, afirmou que o programa amplia o acesso da população aos serviços especializados e fortalece a rede municipal. A proposta é que as ações continuem nas próximas semanas em outras localidades rurais, incluindo a comunidade do Bezerro.
O contexto epidemiológico reforça a urgência da iniciativa. A regional de Barreiras foi responsável por 13,5% das notificações de doença de Chagas crônica no estado em 2023, figurando entre as cinco regiões com maior número de casos na Bahia. Dados estaduais mostram que 70,7% dos casos ocorrem em pessoas negras (pardas e pretas), evidenciando iniquidades em saúde que demandam ações específicas do sistema público.
O esforço de Barreiras já tinha chamado atenção fora do estado. Em 2025, o município conquistou reconhecimento nacional na 20ª Mostra "Brasil, Aqui Tem SUS" com o Programa Regional de Doença de Chagas: Descentralizando e Avançando o Cuidado no Oeste Baiano, cuja proposta central é garantir que pacientes não precisem percorrer longas distâncias para acessar serviços especializados.
A estratégia itinerante se encaixa num movimento mais amplo observado na Bahia. O Projeto Oxente Chagas Bahia, desenvolvido pela Fiocruz, já ultrapassou 6 mil testagens realizadas, atuando por meio de testes rápidos em municípios do interior do estado. A meta em Barreiras é ampliar consultas, exames, triagens e ações de educação em saúde, levando prevenção e diagnóstico precoce para quem mora mais longe dos serviços de saúde.







