Os deputados federais Rogério Correia (PT-MG), Lindbergh Farias (PT-RJ) e Alencar Santana (PT-SP) protocolaram um pedido na Procuradoria-Geral Eleitoral contra o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que disputa a reeleição. Eles querem que ele seja declarado inelegível por oito anos e tenha o registro ou diploma cassado.
O pedido se baseia na divulgação de um documento atribuído à Polícia Federal, considerado falso. O material dava a entender que não havia indícios de crime nas conversas entre Nikolas Ferreira e o banqueiro Daniel Vorcaro, que é investigado na Operação Compliance Zero.
A publicação aconteceu em 3 de setembro, horas depois de o ICL Notícias divulgar reportagens com mensagens e áudios trocados entre o deputado e o banqueiro. Segundo o Aos Fatos, essas conversas traziam um pedido de Nikolas a Vorcaro para ajudar a liberar um ativo de minério.
A Polícia Federal negou ter produzido o documento. Verificações feitas pelo UOL Confere e pelo Aos Fatos apontaram ainda a presença de uma marca d'água ligada a ferramentas de inteligência artificial da OpenAI, sugerindo que o conteúdo teria sido gerado ou editado por IA. O UOL Confere identificou também um erro de português e uma data considerada inconsistente, 18 de novembro de 2025.
Um laudo anexado à representação dos deputados aponta diferenças entre o material divulgado e um relatório real da PF, de 218 páginas. Segundo os parlamentares, os dois documentos divergem em conteúdo, datas, estrutura e identificação. O material falso, além disso, não trazia assinatura, matrícula de servidor, número de procedimento nem código verificador.
Para os deputados, a divulgação pode caracterizar uso indevido dos meios de comunicação e abuso de poder político. Por isso, pedem que a PGE abra investigação eleitoral e, depois, leve o caso ao Tribunal Superior Eleitoral.
A assessoria de Nikolas Ferreira afirmou que o deputado não sabia que o documento era falso. Segundo a assessoria, ele reproduziu um conteúdo publicado originalmente por outro portal e apagou a postagem assim que soube da falsidade.
Não há, até o momento, confirmação de manifestação da PGE, da PF ou do TSE sobre o pedido dos parlamentares.







