Um vídeo gravado por uma testemunha registrou o momento em que um jovem de 19 anos foi agredido por policiais militares no bairro de Periperi, no subúrbio de Salvador, no último domingo (28). As imagens circularam nas redes sociais e provocaram a abertura de um procedimento de apuração pela Polícia Militar da Bahia, anunciado nesta terça-feira (30).
Nas imagens, a vítima aparece sentada no chão, cercada por militares, quando um dos agentes desfere um soco que a faz cair para trás, seguido pelo jato de spray de pimenta. O vídeo tem pouco mais de um minuto e não permite ouvir claramente o que o jovem dizia no momento da abordagem, mas ele parecia questionar a ação dos policiais.
A vítima, que preferiu não se identificar, contou que voltava para casa após deixar a namorada, quando foi surpreendida na rua Osvaldo da Hora. Segundo ele, um homem havia soltado fogos de artifício e a polícia chegou em seguida. Mesmo negando envolvimento no episódio dos fogos, as agressões teriam começado.
Segundo informações divulgadas pelo G1, o jovem afirmou ter sido atingido por outros socos além do registrado em vídeo, que um dos policiais apontou uma arma para seu rosto e que seu celular foi quebrado durante a abordagem. Após ser liberado pelos militares, ele buscou atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do próprio bairro, onde foi medicado e, em seguida, dispensado.
A Polícia Militar informou nesta terça-feira (30) que registrou um procedimento para apurar o caso. Em nota, a corporação declarou que tomou conhecimento do vídeo, que o material está sob análise, e que ainda não conseguiu identificar nem a vítima nem os policiais que aparecem nas imagens — o que, segundo a PM, é justamente um dos objetivos do procedimento instaurado.
A PM afirmou em nota que "não coaduna com eventuais desvios de conduta ou excessos por parte de seus integrantes, os quais serão devidamente apurados", reiterando seu compromisso com legalidade e transparência. Não há, até o momento, informação sobre afastamento preventivo dos agentes envolvidos.
O caso se insere em um contexto de debate crescente sobre violência policial na Bahia. Pela primeira vez, o governo da Bahia reconheceu oficialmente, em documento público, o "uso recorrente da força letal" por agentes de segurança, fenômeno descrito como reflexo da "cultura de confronto". O governo do estado, apontado como o que possui a polícia mais letal do país, elaborou um plano com metas para reduzir em pelo menos 10% por semestre os índices de pessoas mortas em decorrência de ações das forças de segurança.
Entre as medidas previstas para 2026 estão capacitar 30% do efetivo em protocolos de prevenção ao uso excessivo da força e ampliar em 30% os registros por câmeras corporais. O caso de Periperi, no entanto, só veio a público porque uma testemunha comum decidiu filmar a abordagem com o próprio celular.







