Última hora
PMPA - 5736
Polícia

Unimed nega vínculo com duas mulheres flagradas se passando por enfermeiras para entrar em apartamento de idosa em Maceió

Dupla usou uniformes e alegou visita domiciliar de rotina em um domingo; operadora confirmou que não havia nenhuma equipe agendada e que atendimentos só ocorrem de segunda a sexta.

Redação ChicoSabeTudo
13 de junho, 2026 · 18:12 3 min de leitura
Portaria de condomínio residencial com câmera de segurança em destaque
Portaria de condomínio residencial com câmera de segurança em destaque

Duas mulheres vestidas com uniformes de enfermeira tentaram entrar no apartamento de uma idosa em um condomínio no bairro da Jatiúca, em Maceió (AL), na última semana. Elas se apresentaram na portaria como funcionárias da Unimed e alegaram ter uma visita domiciliar de rotina agendada. A Unimed, consultada pela família, confirmou que não reconhece as duas como profissionais da empresa.

Publicidade

A situação só não passou despercebida porque a filha da paciente estranhou a abordagem. Segundo informações divulgadas pelo portal Cada Minuto, a visita ocorreu em um domingo pela manhã, sem nenhum aviso prévio — procedimento fora do padrão habitual da operadora. Quando questionadas, as mulheres desconversaram e insistiram em ver a paciente. Informadas de que ela não estava em casa, as duas relutaram mas foram embora.

A família então acionou a Unimed, que analisou as imagens das câmeras do prédio. A operadora não identificou as mulheres como integrantes do seu quadro de funcionários e reforçou que nenhuma unidade havia sido acionada para aquela residência. A mensagem da coordenação foi direta: "Não foi da equipe do Idoso Bem Cuidado, nós não visitamos aos finais de semana."

Segundo a filha da paciente, o contato foi feito com a Unidade Idoso Bem Cuidado, da qual a mãe faz parte, localizada na Rua Antônio Oticica. As fotos das suspeitas foram encaminhadas à coordenação, que repassou para outras unidades — incluindo o serviço de Atenção Domiciliar, o Home Care e o SOS. Todas confirmaram que não despacharam nenhuma equipe ao endereço.

Publicidade

O caso se encaixa num padrão que vem crescendo em todo o Brasil. Especialistas descrevem o esquema como uma variante sofisticada de fraude que combina engenharia social com uso de dados biométricos. Os golpistas exploram a confiança que idosos depositam em profissionais de saúde para cruzar o limiar da porta — e é dentro da residência que o crime se consuma, com documentos fotografados, rostos escaneados e dados usados para fraudes bancárias.

O modus operandi não é novidade. Em julho de 2025, em Contagem (MG), um idoso de 71 anos permitiu a entrada de uma mulher que se apresentou como funcionária da Unidade Básica de Saúde para atualizar dados cadastrais. O golpe só não foi concluído porque o filho da vítima estranhou a ausência de uniforme adequado e o crachá suspeito da mulher, que acabou presa pela Polícia Militar.

Em outro caso, em São Paulo, uma idosa foi internada à força por falsos enfermeiros que alegavam ter um mandado judicial exigindo que ela os acompanhasse para exames. O objetivo real era vender a casa dela, avaliada em mais de R$ 1 milhão.

No caso de Maceió, a intenção das duas mulheres ainda é desconhecida. A família não informou se registrou boletim de ocorrência. A Unimed, por sua vez, reiterou em mensagens que as visitas domiciliares são realizadas por equipe coordenada por um médico e nunca ocorrem aos fins de semana.

A recomendação para quem receber visita inesperada de profissionais de saúde é clara: peça identificação antes de abrir o portão, solicite que o documento seja passado por baixo da porta ou colocado na caixa de correio, não abra sem acionar um familiar e, se houver suspeita, ligue diretamente para o plano de saúde ou para a polícia.

Leia também