Um prestador de serviço terceirizado foi preso em flagrante na quinta-feira (4) dentro da própria sede da Rondesp Atlântico, unidade de elite da Polícia Militar da Bahia localizada no bairro Costa Azul, em Salvador. Segundo a PM, ele foi flagrado fotografando policiais militares e compartilhando as imagens em grupos de aplicativo de mensagens ligados a integrantes de facções criminosas.
De acordo com informações divulgadas pela Polícia Militar, o homem trabalhava no batalhão como prestador de serviço terceirizado quando foi observado registrando imagens dos agentes. Durante a abordagem, os policiais constataram que as fotografias já estavam sendo enviadas para os grupos criminosos em tempo real.
O caso chama atenção pela localização: o suspeito conseguiu agir de dentro de uma das unidades operacionais mais estratégicas da PM baiana. A Rondesp Atlântico é responsável por rondas especiais na capital e já esteve envolvida em diversas operações de combate ao crime organizado em Salvador.
A prática de monitoramento policial por facções não é novidade na Bahia. Equipes da Rondesp Atlântico e do Departamento Especializado de Investigação e Repressão ao Narcotráfico (Denarc) já haviam desarticulado, em abril de 2026, uma rede de câmeras instaladas por criminosos em bairros de Salvador. Na ocasião, investigadores apontaram que os grupos usavam os equipamentos para se antecipar às ações das forças de segurança.
Segundo informações divulgadas pela Polícia Civil, a Central de Flagrantes de Salvador registrou a ocorrência envolvendo o terceirizado. O caso foi encaminhado para investigação pela 9ª Delegacia Territorial, a DT do Boca do Rio, que deverá apurar a extensão do esquema e possíveis conexões com organizações criminosas.
A prisão levanta questionamentos sobre os critérios de contratação e controle de prestadores de serviço em instalações policiais. O acesso de terceirizados a ambientes sensíveis — como batalhões de operações especiais — representa um ponto de vulnerabilidade que autoridades de segurança pública têm debatido no contexto do avanço das facções criminosas no estado.
Até o momento, a Secretaria de Segurança Pública da Bahia não divulgou informações adicionais sobre o caso nem sobre o vínculo exato do suspeito com os grupos criminosos identificados nos grupos de mensagens.







