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Polícia

Salvador: autor de chacina em cinema de 1999 ronda o Shopping Barra

Ex-estudante de Medicina, solto desde 2024, circula por lojas e cinema do shopping soteropolitano

Redação ChicoSabeTudo
10 de julho, 2026 · 08:49 3 min de leitura
Salvador: autor de chacina em cinema de 1999 ronda o Shopping Barra

O ex-estudante de Medicina Mateus da Costa Meira, de 51 anos, condenado pelo massacre a tiros que matou três pessoas e feriu outras nove em um cinema de São Paulo, em 1999, passou a frequentar regularmente o Shopping Barra, em Salvador. Solto desde 2024 por decisão da Justiça da Bahia, ele tem sido visto em cafés, livrarias e até nas salas de cinema do centro comercial.

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A presença constante de Mateus no shopping despertou atenção de frequentadores, que passaram a fotografá-lo e compartilhar as imagens em grupos de WhatsApp. A comerciante Janaína Chaseliov, de 34 anos, contou que ficou em dúvida ao vê-lo pela primeira vez, porque ele está com a aparência diferente. Segundo ela, a informação se espalhou rápido pelo shopping e deixou vendedores com medo.

O médico Marco Antônio Damasceno, que foi colega de infância de Mateus, afirmou já tê-lo visto várias vezes na bilheteria do cinema. Ele descreveu o condenado como acima do peso e com aparência sombria. Disse que foi cumprimentado normalmente, mas sentiu medo porque Mateus carregava uma mochila.

O Shopping Barra é um dos principais centros comerciais de Salvador, com 315 lojas e oito salas de cinema, três delas VIP, recebendo cerca de 50 mil visitantes por dia. A decisão que autorizou a soltura, em 2024, previa que Mateus morasse com os pais e mantivesse acompanhamento psiquiátrico. Segundo a coluna que revelou sua rotina no shopping, assinada por Ullisses Campbell no jornal O Globo, ele mora sozinho a poucos quarteirões do centro comercial.

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O crime que tornou Mateus conhecido nacionalmente aconteceu em 3 de novembro de 1999. Então com 24 anos e a poucos dias de se formar em Medicina, ele entrou armado com uma submetralhadora em uma sessão do filme "Clube da Luta", no Morumbi Shopping, em São Paulo, e atirou contra a plateia.

A defesa tentou argumentar que Mateus era inimputável, incapaz de entender o caráter criminoso dos próprios atos por transtorno mental, mas a perícia rejeitou a tese. Em 2004, ele foi condenado a 120 anos de prisão, pena depois reduzida para 48 anos e nove meses.

Ainda cumprindo pena, em 2009, Mateus tentou matar a facadas de tesoura um companheiro de cela na Penitenciária Lemos Brito, em Salvador. Nesse novo processo, a tese de inimputabilidade foi aceita, e ele passou a cumprir medida de segurança em regime de internação no Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico da Bahia.

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O advogado Vivaldo Adaes, que atuou na defesa de Mateus, relatou temer que o ex-cliente apareça armado em seu escritório. Segundo ele, Mateus chegou a fazer uma lista de pessoas marcadas para morrer. "O Mateus só agride quem ele gosta. O próprio preso que levou a tesourada disse isso ao juiz. Os dois eram amigos", afirmou o advogado.

A saída de Mateus da internação foi autorizada pela Justiça da Bahia em setembro de 2024. O Ministério Público da Bahia se posicionou contra a desinternação e recorreu a instâncias superiores, mas não conseguiu impedir a liberação. Até a publicação desta reportagem, não havia registro de que Mateus tenha cometido novos crimes desde que deixou a unidade de custódia

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