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Polícia

Propina por Pix e gado: investigação revela esquema de corrupção em presídio de Feira de Santana

Investigação do MP-BA mostra que agentes usavam WhatsApp para combinar entregas e movimentaram mais de R$ 500 mil

Redação ChicoSabeTudo
13 de julho, 2026 · 09:50 2 min de leitura
Propina por Pix e gado: investigação revela esquema de corrupção em presídio de Feira de Santana

As negociações de um esquema criminoso que funcionava dentro do Conjunto Penal de Feira de Santana, na Bahia, eram fechadas por aplicativo de mensagem e pagas por transferência bancária. Policiais penais usavam o WhatsApp para combinar a entrada de drogas, celulares e outros materiais proibidos no presídio, e recebiam a propina por Pix. Parte do dinheiro, segundo as investigações do Ministério Público da Bahia (MP-BA), chegou a ser usada na compra de gado.

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O esquema foi alvo da Operação Sísifo, conduzida pelo MP-BA por meio do Gaeco em parceria com a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) e a Secretaria da Segurança Pública (SSP), em fases realizadas entre 2023 e 2024. No último dia 6, a 2ª Vara Criminal de Feira de Santana condenou 12 pessoas, entre elas dez policiais penais, que também tiveram decretada a perda do cargo público.

Apontado como líder do grupo, o policial penal Valmir Pereira de Jesus foi condenado a mais de 28 anos de prisão. Os envolvidos responderam por organização criminosa, corrupção passiva e ativa, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e facilitação da entrada de aparelhos e objetos ilícitos em unidade prisional.

Uma das principais provas foi uma conversa extraída do celular de Valmir. No diálogo, ele e o colega Yure Pinheiro Costa negociam a entrada de nove celulares, duas balanças de precisão e dois quilos de entorpecentes no presídio, com pagamento acertado em R$ 36,5 mil.

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As apurações apontaram que os investigados evitavam receber os valores diretamente. Os pagamentos eram direcionados a contas de terceiros, entre elas a da empresa EME Eletricista, registrada em nome do comerciante Emerson Carmo dos Santos, apontado como parte do núcleo financeiro e também condenado.

A quebra dos sigilos bancário e fiscal revelou movimentações incompatíveis com os salários. Entre janeiro de 2022 e abril de 2023, Yure Pinheiro Costa movimentou R$ 334.918,67 em créditos, mas apenas R$ 59.901,11 tinham origem identificada nos pagamentos da Seap. Gildo de Lima Almeida movimentou mais de R$ 555 mil entre 2020 e 2022, e Valmir Pereira de Jesus, mais de R$ 500 mil no mesmo período.

Segundo o MP-BA, a investigação comprovou "a existência de divisão de tarefas, atuação coordenada e mecanismos voltados à ocultação e dissimulação dos valores obtidos com as atividades criminosas". As apurações começaram após uma sequência de apreensões de celulares, drogas e armas perfurocortantes com detentos na unidade.

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