As negociações de um esquema criminoso que funcionava dentro do Conjunto Penal de Feira de Santana, na Bahia, eram fechadas por aplicativo de mensagem e pagas por transferência bancária. Policiais penais usavam o WhatsApp para combinar a entrada de drogas, celulares e outros materiais proibidos no presídio, e recebiam a propina por Pix. Parte do dinheiro, segundo as investigações do Ministério Público da Bahia (MP-BA), chegou a ser usada na compra de gado.
O esquema foi alvo da Operação Sísifo, conduzida pelo MP-BA por meio do Gaeco em parceria com a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) e a Secretaria da Segurança Pública (SSP), em fases realizadas entre 2023 e 2024. No último dia 6, a 2ª Vara Criminal de Feira de Santana condenou 12 pessoas, entre elas dez policiais penais, que também tiveram decretada a perda do cargo público.
Apontado como líder do grupo, o policial penal Valmir Pereira de Jesus foi condenado a mais de 28 anos de prisão. Os envolvidos responderam por organização criminosa, corrupção passiva e ativa, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e facilitação da entrada de aparelhos e objetos ilícitos em unidade prisional.
Uma das principais provas foi uma conversa extraída do celular de Valmir. No diálogo, ele e o colega Yure Pinheiro Costa negociam a entrada de nove celulares, duas balanças de precisão e dois quilos de entorpecentes no presídio, com pagamento acertado em R$ 36,5 mil.
As apurações apontaram que os investigados evitavam receber os valores diretamente. Os pagamentos eram direcionados a contas de terceiros, entre elas a da empresa EME Eletricista, registrada em nome do comerciante Emerson Carmo dos Santos, apontado como parte do núcleo financeiro e também condenado.
A quebra dos sigilos bancário e fiscal revelou movimentações incompatíveis com os salários. Entre janeiro de 2022 e abril de 2023, Yure Pinheiro Costa movimentou R$ 334.918,67 em créditos, mas apenas R$ 59.901,11 tinham origem identificada nos pagamentos da Seap. Gildo de Lima Almeida movimentou mais de R$ 555 mil entre 2020 e 2022, e Valmir Pereira de Jesus, mais de R$ 500 mil no mesmo período.
Segundo o MP-BA, a investigação comprovou "a existência de divisão de tarefas, atuação coordenada e mecanismos voltados à ocultação e dissimulação dos valores obtidos com as atividades criminosas". As apurações começaram após uma sequência de apreensões de celulares, drogas e armas perfurocortantes com detentos na unidade.






