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Polícia

Perícia confirma: cães mataram gatos comunitários na UFS e tutores dos animais são intimados

Dez laudos necroscópicos da Polícia Científica de Sergipe identificaram lesões por mordidas de canídeos; Depama segue investigando e pode responsabilizar donos dos animais.

Redação ChicoSabeTudo
07 de julho, 2026 · 12:28 3 min de leitura
Gatos comunitários no campus da Universidade Federal de Sergipe, em São Cristóvão
Gatos comunitários no campus da Universidade Federal de Sergipe, em São Cristóvão

A Polícia Civil de Sergipe divulgou nesta terça-feira (7) os primeiros resultados periciais sobre a morte de gatos comunitários no campus da Universidade Federal de Sergipe (UFS), em São Cristóvão. Dez laudos necroscópicos produzidos pela Polícia Científica apontam, todos, para o mesmo veredicto: os animais morreram em decorrência de ataques provocados por cães.

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Os exames identificaram perfurações, hematomas e fraturas em costelas e vértebras, com lesões concentradas principalmente nas regiões cervical e torácica — ferimentos compatíveis com mordeduras de canídeos, segundo a perícia. Conforme informações divulgadas pela fonte original, alguns tutores de cães que costumam circular livremente pelo campus já foram identificados e intimados a prestar esclarecimentos.

Os cães envolvidos são classificados pela investigação como semidomiciliados: ficam soltos durante o dia nas dependências da universidade e retornam às casas dos tutores à noite. Registros apontam que as ações ocorrem durante o período noturno, horário em que a Diacom e outros setores da UFS não estão em funcionamento.

O caso ganhou repercussão no início de junho, quando protetores de animais denunciaram mortes em série. Ao menos 14 gatos comunitários morreram em dois dias no campus, gerando preocupação entre protetores, estudantes e membros da comunidade acadêmica — denúncia reforçada pela protetora Miriam Guedes, integrante do grupo Amigos dos Animais, que relatou dez gatos encontrados mortos num único domingo e mais quatro na segunda-feira seguinte. Dados da própria universidade apontam que, entre setembro de 2025 e junho de 2026, ao menos 46 animais morreram no campus, sendo 45 gatos e um cachorro.

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O Ministério Público Federal (MPF) solicitou à Polícia Civil a atuação especializada da Delegacia de Proteção Animal e Meio Ambiente (Depama) para apurar as circunstâncias das mortes e verificar possíveis casos de envenenamento ou outros crimes contra os animais. Além da investigação, o MPF sugeriu que a UFS avalie a implantação de câmeras de monitoramento em pontos onde há maior registro de mortes de animais, para auxiliar na identificação das causas e reforçar as medidas de proteção.

A UFS ressalta que mantém, de forma permanente, a Divisão de Animais Comunitários (Diacom/UFS), setor responsável pela gestão ética, promoção do bem-estar animal e monitoramento rotineiro das populações de gatos que vivem no campus, e é a partir desse trabalho que os casos estão sendo acompanhados.

A Depama informou que as investigações continuam. Ainda aguardam conclusão os laudos pendentes, incluindo exames toxicológicos, além de outras diligências voltadas a esclarecer as circunstâncias completas das mortes e avaliar eventual responsabilização dos tutores dos animais identificados. No Brasil, a Lei 14.064/2020 aumentou a pena para quem maltratar cães e gatos: quem cometer esse crime pode ser punido com dois a cinco anos de reclusão, multa e proibição da guarda.

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O número de denúncias de maus-tratos a animais em Sergipe cresceu cerca de 30% no primeiro trimestre deste ano, passando de 345 registros para 447 ocorrências — aumento que tem ampliado a atuação da Depama e reforça o papel da população no combate a esse tipo de crime. Quem tiver informações sobre o caso da UFS pode acionar o Disque-Denúncia pelo número 181, de forma anônima.

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