Uma cidade de 14 mil habitantes no Sudoeste da Bahia acaba de atingir uma marca que poucos municípios do estado podem ostentar: Lagoa Real completou, no início de julho, 3.106 dias consecutivos sem nenhum homicídio registrado. São oito anos, seis meses e dois dias de paz — uma sequência que começou em 29 de dezembro de 2017, data do último assassinato na cidade, segundo informações divulgadas pela 94ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM), sediada em Caetité.
O dado não está sozinho. Os outros seis municípios cobertos pela mesma unidade militar — Caetité, Caculé, Ibiassucê, Jacaraci, Licínio de Almeida e Tanque Novo — também encerraram o primeiro semestre de 2026 sem nenhum registro de Crime Violento Letal Intencional (CVLI). O comando da companhia classificou o resultado como histórico.
Entre os destaques, Jacaraci aparece na segunda posição da lista, com 1.776 dias sem homicídios — quatro anos, dez meses e onze dias. O último caso na cidade foi registrado em 20 de agosto de 2021. Licínio de Almeida acumula 1.337 dias, com o último homicídio datado de 2 de novembro de 2022.
Tanque Novo soma 542 dias sem esse tipo de crime, enquanto Ibiassucê registra 383 dias. Caetité, sede da 94ª CIPM, completou um ano sem homicídios no dia 2 de julho — o último caso havia ocorrido exatamente em 2 de julho de 2025. Caculé, onde foi registrado o episódio mais recente entre os sete municípios, acumula 197 dias sem CVLI, desde 16 de dezembro de 2025.
A 94ª CIPM é comandada pelo Tenente-Coronel Roberto Suarez, que já havia apresentado os resultados operacionais da unidade na Câmara de Vereadores de Caetité em maio deste ano. O levantamento mostrou redução significativa nos CVLIs e períodos prolongados sem registros de homicídios, números que, segundo o comandante, refletem o planejamento estratégico e o trabalho diário das equipes.
O desempenho da região acompanha uma tendência mais ampla no estado. De acordo com dados divulgados pela Secretaria da Segurança Pública (SSP-BA), a Bahia registrou queda de 20,5% nos casos de homicídio, latrocínio e lesão corporal seguida de morte no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025. As 500 operações de combate ao crime organizado e o trabalho preventivo diário das forças policiais resultaram na preservação de 424 vidas entre janeiro e junho deste ano.
Lagoa Real já aparecia em levantamentos anteriores como uma das cidades baianas com maior período sem CVLI. Apesar disso, a cidade, como outras da região, enfrentou nos últimos anos ataques de quadrilhas especializadas em assaltos a agências bancárias. Por serem pequenas e contarem com poucos policiais por plantão, essas cidades se tornam alvos mais fáceis para esse tipo de crime. Ainda assim, os homicídios seguem zerados há quase uma década.
Segundo o comando da 94ª CIPM, os índices são fruto do trabalho integrado entre a Polícia Militar, as demais forças de segurança e a participação ativa da comunidade. A unidade reforça que o objetivo é preservar vidas e manter a sensação de segurança da população — e, por ora, os números mostram que essa meta vem sendo cumprida.







