A Polícia Militar de Alagoas (PMAL) está em campo desde a última segunda-feira (8) com a segunda fase da Operação Protetor dos Biomas. A ação, conduzida pelo Batalhão de Polícia Ambiental (BPA), percorre todo o estado de Alagoas e se estende até este domingo (14), com foco no enfrentamento a crimes contra a natureza.
Até a última terça-feira (10), o balanço parcial já mostrava resultado expressivo: 60 pássaros silvestres apreendidos, quatro armas de fogo recolhidas, uma prisão em flagrante por posse irregular de armamento, sete Termos Circunstanciados de Ocorrência (TCO) e dez Comunicados de Ocorrência Policial (COP), segundo informações divulgadas pela fonte original.
Em Penedo, cidade às margens do Rio São Francisco, os militares descobriram um abate clandestino de bovino voltado à comercialização irregular. Os envolvidos foram autuados, e a carne apreendida foi encaminhada ao Zoológico de Maragogi, evitando desperdício do material.
Ainda na zona rural de Penedo, no povoado Ilha das Canas, policiais encontraram 21 caranguejos da espécie guaiamu sendo mantidos de forma ilegal em uma residência. O responsável pelo local responderá por crime ambiental. Os crustáceos foram resgatados e devolvidos ao habitat natural.
O guaiamu (Cardisoma guanhumi) é listado como criticamente em perigo no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, publicado pelo ICMBio. A espécie está ameaçada em várias partes de seu território, sobretudo por causa da caça predatória e da destruição do habitat. Portarias do Ministério do Meio Ambiente proíbem a captura, transporte, armazenamento, guarda, manejo, beneficiamento e comercialização do crustáceo em todo o território brasileiro.
O guaiamu também é presença marcante na cultura e na culinária do Nordeste, incluindo a região do São Francisco. No Brasil, o crustáceo faz parte da culinária tradicional, mas sua captura tem se reduzido ano após ano, e o tempo de reprodução da espécie não sustenta a retirada frequente em grandes quantidades.
A Operação Biomas faz parte de um programa nacional contra crimes ambientais, coordenado pelo Ministério da Justiça. Segundo informações divulgadas pelo BPA de Alagoas, a atuação desta segunda fase combina fiscalizações de campo, ações de inteligência e atividades educativas junto às comunidades. A maioria das ocorrências registradas está relacionada ao cativeiro ilegal de animais silvestres.
Em etapas anteriores da operação em Alagoas, foram apreendidas armas de fogo e resgatados centenas de pássaros em situação ilegal, além de áreas com desmatamento identificadas durante as ações. O esforço contínuo do BPA demonstra que a pressão sobre os biomas alagoanos — que abrangem trechos da Mata Atlântica, Caatinga e o corredor do São Francisco — permanece elevada.







