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Operação Perfidus: delegado e investigadores da PB são presos por vender drogas apreendidas a facções

Ação do Gaeco e da Polícia Civil da Paraíba prendeu nove pessoas, bloqueou R$ 10 milhões e revelou esquema de desvio de entorpecentes, propina e avisos antecipados sobre operações policiais.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Polícia
08 de junho, 2026 · 06:20 3 min de leitura
Viatura da Polícia Civil da Paraíba durante operação de combate ao crime organizado
Viatura da Polícia Civil da Paraíba durante operação de combate ao crime organizado

Um delegado e dois investigadores da Polícia Civil da Paraíba foram presos na manhã da última terça-feira (2) suspeitos de integrar uma organização criminosa que desviava drogas apreendidas em operações e as revendia a facções. A ação foi batizada de Operação Perfidus — nome que, em latim, significa "traição" ou "deslealdade" — e foi deflagrada em conjunto pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) e pela Polícia Civil.

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Entre os presos estão o delegado Braz Morroni de Paiva, titular da Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio (DCCPAT), e os agentes Everton Rychelyson da Silva Aires e Eduardo Jorge Ferreira do Egito. Com mais de 20 anos de carreira, o delegado já passou por outras delegacias, como a de Repressão a Entorpecentes.

Foram cumpridos nove mandados de prisão e 24 de busca e apreensão. A Justiça também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 10 milhões dos suspeitos. Os suspeitos passaram por audiência de custódia e tiveram a prisão mantida, sendo encaminhados ao Presídio Especial Valentina de Figueiredo.

A investigação teve início em fevereiro de 2025, após a denúncia de um traficante de que drogas teriam sido furtadas por agentes da Polícia Civil. Segundo o secretário de Segurança do estado, a apuração durou mais de um ano e analisou mais de 40 mil áudios relacionados ao grupo criminoso.

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Everton Rychelyson, conhecido como "Bomba", seria o elo entre policiais e traficantes, responsável por guardar drogas desviadas, negociar carregamentos de cocaína e skunk, organizar a contabilidade clandestina e orientar integrantes do grupo sobre lavagem de dinheiro. Segundo informações divulgadas pelo BNews, baseadas em reportagem do Fantástico (TV Globo), nos últimos cinco anos Bomba teria recebido mais de R$ 4 milhões em suas contas — valor incompatível com o salário de cerca de R$ 8.500 como policial civil.

Eduardo Jorge, por sua vez, participava diretamente das ações de subtração de drogas, monitorava carregamentos de facções, manipulava rastreadores instalados em veículos e armazenava entorpecentes em sua residência. A investigação sustenta que Braz Morroni recebia repasses de dinheiro provenientes das negociações realizadas pelos dois investigadores, cobrava rapidez na recuperação de valores referentes a drogas vendidas a prazo e utilizava sua posição hierárquica para oferecer proteção institucional ao grupo.

As apurações também apontam que informações confidenciais sobre operações policiais eram repassadas antecipadamente a traficantes, permitindo que suspeitos escapassem de prisões e evitassem prejuízos às suas atividades criminosas. Segundo a fonte original, entre os beneficiados estaria José Alexandrino Júnior Lira, investigado por participação em ataques do chamado Novo Cangaço a bancos e carros-fortes no Nordeste.

Há ainda indícios de que drogas armazenadas em delegacias também eram retiradas antes dos procedimentos de incineração. Outro detalhe revelado pela investigação é que os próprios integrantes do esquema estariam desviando parte dos lucros obtidos com a venda das drogas, com agentes responsáveis pelas negociações repassando ao delegado valores inferiores aos efetivamente arrecadados.

Para o secretário de Estado da Segurança e da Defesa Social, Jean Nunes, a operação está entre as mais importantes já realizadas em conjunto pela Polícia Civil e pelo Gaeco. O delegado-geral da Polícia Civil afirmou não haver dúvidas quanto ao envolvimento dos servidores investigados, acrescentando que um dos agentes atuaria na negociação com integrantes da organização criminosa, enquanto o delegado teria a função de oferecer proteção ao esquema.

As defesas negam as acusações. A defesa de Braz Morroni afirmou que a decisão da Justiça "se baseou integralmente nos relatórios policiais" e que estes "se utilizam de conversas indiretas" sem qualquer conversa direta do delegado com os envolvidos, alegando que a Polícia Civil "errou ao não fazer a devida individualização das condutas". O delegado e os agentes foram afastados das funções e podem ser expulsos da Polícia Civil, de acordo com o secretário de Segurança Pública da Paraíba.

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