O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), está no centro de uma polêmica que envolve o Banco Master e denúncias de uma suposta interferência em favor da instituição financeira. Uma reportagem divulgada pelo jornal O Globo na última segunda-feira (22) trouxe à tona uma série de encontros e ligações que Moraes teria feito com o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, para ajudar o banco de Daniel Vorcaro.
De acordo com a matéria, Moraes teria falado com Galípolo pelo menos quatro vezes — três por telefone e uma em uma reunião cara a cara. O objetivo seria pressionar para que a venda de créditos do Banco Master para o Banco de Brasília (BRB) fosse aprovada. O ministro teria expressado que tinha uma "apreciação pessoal" por Daniel Vorcaro e que, em sua visão, o Banco Master estava sofrendo uma "perseguição" dos bancos maiores por estar crescendo no mercado.
Fraude Bilionária Descoberta pelo Banco Central
A situação tomou um rumo inesperado quando Gabriel Galípolo deu uma resposta técnica às investidas de Moraes. Ele informou ao ministro que as equipes do Banco Central tinham descoberto uma fraude gigantesca: nada menos que R$ 12,2 bilhões no repasse de créditos do Banco Master para o banco estatal de Brasília. Diante dessa bomba, Alexandre de Moraes teria voltado atrás, afirmando que, se as irregularidades fossem realmente confirmadas, o negócio não deveria ir para frente.
O desfecho para o Banco Master foi rápido e drástico. Em 18 de novembro, a Polícia Federal (PF) prendeu Daniel Vorcaro e outros executivos na Operação Compliance Zero. Pouco tempo depois, o próprio Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição, colocando um ponto final nas operações do Banco Master.
Contrato Milionário da Esposa de Moraes Agrava a Situação
Um detalhe que adiciona uma camada de complexidade e levanta questões sobre conflito de interesses é a revelação de que o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, tinha um contrato muito valioso com o Banco Master. O acordo previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões por três anos, somando um total impressionante de aproximadamente R$ 130 milhões.
O contrato indicava que o escritório deveria representar os interesses do Banco Master e de seu dono junto a órgãos importantes como o Banco Central, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e a Receita Federal. No entanto, documentos oficiais conseguidos através da Lei de Acesso à Informação (LAI) mostraram que o escritório de Viviane Barci de Moraes não fez nenhum pedido de reunião ou protocolou documentos em nome do Banco Master nessas instituições. Isso levanta dúvidas sobre a efetiva prestação dos serviços pelo valor milionário.
Moraes Nega Pressão e Caso Segue no STF e TCU
Em resposta a todas essas publicações, o ministro Alexandre de Moraes divulgou uma nota oficial na terça-feira (23), onde negou com veemência qualquer tipo de pressão em favor do Banco Master. Ele afirmou que os encontros com Gabriel Galípolo discutiram apenas as consequências da Lei Magnitsky, uma lei de sanções dos Estados Unidos, e seus efeitos no sistema bancário brasileiro, como a manutenção de contas e cartões de crédito. A nota do ministro, contudo, não mencionou as acusações específicas sobre Daniel Vorcaro ou as supostas intervenções diretas relatadas por fontes do Banco Central.
Enquanto as versões se chocam, o caso ganhou um novo capítulo no Supremo Tribunal Federal. O ministro Dias Toffoli assumiu a responsabilidade pelo processo e decretou sigilo total nas investigações. Ele deu um prazo de 30 dias para a Polícia Federal colher depoimentos, que serão acompanhados de perto por seu gabinete.
Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, aproveitou uma coletiva de imprensa para reforçar que o BC documentou cada reunião e troca de mensagens sobre o assunto. Ele se colocou à disposição para dar todos os esclarecimentos necessários ao STF. No Tribunal de Contas da União (TCU), o ministro Jhonatan de Jesus também entrou em campo, exigindo que o Banco Central envie explicações detalhadas sobre todo o processo de liquidação do Banco Master até a próxima terça-feira.
O cenário é de incerteza e aguarda os próximos desdobramentos das investigações, que prometem ser intensas e minuciosas.







