A Polícia Civil da Bahia (PC-BA) revelou os desdobramentos da investigação sobre o desaparecimento e provável morte de Thamiris dos Santos Pereira, de 14 anos. Segundo as autoridades, o crime foi encomendado de dentro do sistema prisional como retaliação.
As investigações do Departamento de Polícia Metropolitana (Depom) apontam que a ordem para a execução partiu do Conjunto Penal da Mata Escura. O principal suspeito de ser o mandante é Davi de Jesus Ferreira, de 32 anos, detido desde 20 de fevereiro.
Na época de sua prisão em flagrante por violência doméstica no bairro Jardim das Margaridas — mesma região onde a vítima morava —, o suspeito deduziu que a adolescente havia sido a responsável por acionar as autoridades. Movido pelo desejo de vingança, ele teria planejado o homicídio mesmo estando atrás das grades.
Para concretizar o crime, o mandante teria contado com a ajuda de uma pessoa próxima à vítima. Rodrigo Faria Sena dos Santos, de 37 anos, foi apontado pela investigação como o responsável por atrair a jovem para o local do assassinato.
A relação de proximidade tornou o caso ainda mais chocante para a comunidade local. Rodrigo era vizinho da família da adolescente há mais de uma década, residindo no imóvel localizado logo abaixo da casa da vítima.
Prisão: Rodrigo foi detido em sua residência na tarde da última quinta-feira (19), mediante mandado de prisão preventiva.
Reação popular: Revoltados com a quebra de confiança e a brutalidade do caso, moradores da região invadiram e destruíram o interior da casa do suspeito.
Mandados: A Polícia Civil havia solicitado os mandados de prisão no dia 13 de março, mas a autorização judicial foi expedida apenas na quinta-feira (19). Um novo mandado também foi cumprido contra Davi, o mandante, que já se encontrava preso.
Desaparecimento e buscas
Thamiris foi vista pela última vez no dia 12 de março, após sair da instituição de ensino onde estudava, no bairro de Itinga, em Lauro de Freitas. Imagens de câmeras de monitoramento registraram o momento em que a estudante alterou sua rota habitual de volta para casa, sumindo logo em seguida.
Após dias de protestos intensos e buscas pela região, um corpo foi localizado em um terreno baldio no bairro de Cassange, em Salvador, na tarde de quinta-feira (19).
Investigação
A principal linha de investigação sugere que a jovem foi executada pouco tempo após o seu desaparecimento. No entanto, a confirmação oficial da identidade da vítima ainda depende de laudos técnicos.
Os peritos do Departamento de Polícia Técnica (DPT) enfrentam dificuldades devido ao avançado estado de decomposição do corpo, que foi encontrado sem roupas. Próximo a ele, foram deixados pertences pessoais da adolescente embalados em sacolas plásticas, incluindo:
Farda escolar
Sapatos
Relógio
O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de Salvador. A perícia avalia nesta sexta-feira (20) se a identificação poderá ser concluída por meio de exame papiloscópico (impressões digitais) ou se será necessário recorrer a exames de DNA ou arcada dentária. A polícia também trabalha para determinar se o terreno em Cassange foi o local da execução ou se foi utilizado apenas para a ocultação do cadáver.







