A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu, no último domingo (18), Tiago da Silva Rocha, conhecido como “Tiba”, um dos principais suspeitos de planejar e coordenar a fuga de 16 detentos do presídio de Eunápolis, na Bahia. Tiago também é investigado por arquitetar um atentado contra Jorge Magno Alves, ex-diretor do conjunto penal. A prisão aconteceu em Ilha Grande, no Rio de Janeiro, e é resultado de uma operação conjunta de várias forças de segurança.
“Tiba” é apontado como um dos chefes de uma organização criminosa que atua em Eunápolis e em outras cidades do extremo sul baiano. Ele seria o “gerente logístico” da facção, encarregado de organizar o envio de drogas, armas e outros materiais ilegais para a região, além de montar as rotas de distribuição e pagar os comparsas envolvidos nos crimes. A ação integrada entre o Ministério Público da Bahia, a Secretaria de Segurança Pública da Bahia e as Polícias Civis da Bahia e do Rio de Janeiro, junto com a Polícia Militar do Rio de Janeiro, foi fundamental para identificar a estrutura do grupo e coletar provas da participação de Tiago na fuga.
Relembre a fuga em massa que chocou Eunápolis
A fuga dos 16 detentos aconteceu em dezembro de 2024 e gerou grande repercussão em todo o país. Por volta das 23h do dia 12 de dezembro, um grupo de criminosos fortemente armado invadiu o Conjunto Penal. Segundo o coronel Luís Alberto Paraíso, comandante da Polícia Regional, o plano foi executado com duas ações ao mesmo tempo: enquanto os presos faziam um buraco no teto de uma cela, os oito homens armados de fora cortaram a grade do presídio e começaram a atirar contra os agentes de plantão.
“O grupo criminoso veio de fora do presídio, cortou a grade e começou a atirar nas guaritas. Essa troca de tiros sustentou a fuga dos elementos que desceram por cordas e fugiram pelo matagal”, explicou o coronel.
A Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap) confirmou a invasão, relatando uma “intensa troca de tiros” que permitiu a abertura de duas celas e a fuga dos 16 internos. Durante a ação, os criminosos mataram um cão de guarda do presídio e abandonaram um fuzil calibre 5.56, fabricado nos Estados Unidos e sem numeração, além de dois carregadores com 57 cartuchos intactos.
O grande objetivo da invasão era resgatar Edinaldo Pereira Souza, conhecido como “Dada”, apontado como líder da facção criminosa Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), e mais 15 comparsas. Todos eram membros da mesma organização criminosa, ligada a uma facção do Rio de Janeiro, e cumpriam pena por tráfico de drogas, associação para o tráfico e homicídios qualificados.
O que aconteceu com os fugitivos?
Mais de um ano após a fuga, a maioria dos 16 detentos continua foragida. Apenas um deles, Valtinei dos Santos Lima, o “Dinei”, foi recapturado em setembro deste ano. Outros dois fugitivos morreram:
- Anailton Souza Santos (Nino): Morreu em 16 de janeiro, após atirar contra a Polícia Civil durante uma operação de recaptura em Eunápolis.
- Rubens Lourenço dos Santos (Binho Zoião): Foi um dos 117 homens mortos em uma megaoperação no Rio de Janeiro, em outubro.
Os outros 13 fugitivos ainda estão sendo procurados pelas autoridades.
No dia seguinte à fuga, em 13 de dezembro de 2024, um homem foi preso sob suspeita de envolvimento na ação. Ele confessou à Polícia Civil que receberia R$ 5 mil pela participação e que tinha recebido um fuzil para usar na operação. O plano era recolher o armamento após a fuga e efetuar o pagamento combinado. O suspeito, que não teve a identidade revelada, não entregou os nomes dos outros integrantes do grupo.







