A Justiça de São Paulo endureceu a pena de um homem que liderava um grande esquema de 'gatonet' e lavagem de dinheiro em Penápolis, em São Paulo. O criminoso, responsável pelo serviço pirata Control IPTV, teve sua condenação aumentada e agora cumprirá sete anos e seis meses de prisão em regime fechado, antes era semiaberto.
O golpe oferecia pacotes de TV, filmes e séries pela internet sem pagar os direitos autorais. Com planos a partir de R$ 25 mensais, o esquema chegou a ter 17 mil usuários e faturava impressionantes R$ 5,2 milhões por ano. Para gerenciar tudo, eles usavam um site central que controlava várias outras transmissões piratas.
Para esconder o dinheiro ilegal, o grupo tentou movimentar R$ 13 milhões. Eles usavam empresas de fachada e contas bancárias em nome de outras pessoas. Essa era a forma de dificultar que a polícia rastreasse os valores. Enquanto isso, o líder do esquema vivia uma vida de luxo, comprando imóveis caros, como um de R$ 1,1 milhão, e quatro carros de luxo, entre eles modelos da Porsche, BMW e Land Rover.
A investigação que desvendou o esquema faz parte da Operação 404, uma iniciativa do Ministério da Justiça para combater a pirataria digital no Brasil desde 2019. O chefe da organização já tinha sido preso em 2020, mas, depois de pagar fiança, voltou a operar o sistema ilegal. Além dele, outros quatro homens envolvidos foram condenados a mais de cinco anos de prisão cada um, e um quinto cúmplice pegou pena por ajudar a esconder veículos de luxo.
O combate a esse tipo de crime, popularmente conhecido como 'gatonet', tem crescido por toda a América Latina. Em anos recentes, centenas de sites e aplicativos foram bloqueados no Brasil. Na Argentina, uma grande operação chegou a descobrir centrais de pirataria tão sofisticadas que tinham até setor de Recursos Humanos e muitos funcionários, faturando mais de R$ 800 milhões por ano como se fossem empresas de tecnologia legítimas.
É importante lembrar que a tecnologia IPTV, que transmite TV pela internet, é legal. O problema acontece quando ela é usada para distribuir sinal sem a autorização das emissoras. As autoridades avisam que essas plataformas piratas, além de prejudicar a indústria audiovisual, estão sempre sujeitas a ordens judiciais de bloqueio. Apesar da nova sentença em regime fechado, o condenado e seus parceiros ainda podem recorrer da decisão.







