Ana Paula de Oliveira da Silva, de 43 anos, foi sepultada na segunda-feira (6) em Maceió, cercada de homenagens da família. Ela morreu no sábado (4) no Hospital Geral do Estado (HGE), onde estava internada desde o dia 26 de junho após ter 63% da superfície corporal atingida por queimaduras provocadas pelo ex-companheiro, Carlos Henrique Onofre dos Santos. Segundo informações divulgadas pelo portal IT Notícias, o sepultamento aconteceu no Cemitério São Luiz, no bairro da Santa Amélia, na capital alagoana.
A filha Amanda Barbosa esteve presente e falou com a imprensa momentos antes do enterro, clamando por punição. Segundo a fonte original, ela contou que, nos dias que antecederam ao ataque, Ana Paula tinha saído de Maceió com medo do companheiro, mas ele foi atrás dela e ela acabou retornando. Dias depois, veio o crime. "Quero que ele pague aqui pelo que fez e que as leis que protegem as mulheres sejam respeitadas", disse a jovem. Amanda e a irmã Tayanara de Oliveira afirmam que o crime foi planejado e cobram justiça.
As filhas relatam que Ana Paula já havia sido espancada dias antes do ataque e a família chegou a registrar os hematomas em vídeo. Segundo elas, as discussões eram motivadas por constantes traições. A Polícia Civil informou que Ana Paula não havia registrado boletim de ocorrência nem solicitado medida protetiva contra o agressor, apesar de familiares relatarem um histórico de violência no relacionamento.
O crime aconteceu em uma área de mata na região conhecida como Favela da Coca, no bairro Tabuleiro dos Martins. De acordo com as investigações, Ana Paula foi levada até o local pelo agressor e teve o corpo incendiado. As filhas relataram que o suspeito saiu de casa para comprar gasolina antes de colocar o plano em prática. Mesmo com queimaduras gravíssimas, Ana Paula conseguiu sair do local e buscar ajuda. Segundo familiares, ela se arrastou até a rodovia, onde foi socorrida por populares e encaminhada ao HGE.
Durante o tratamento, a vítima perdeu a visão e todo o cabelo em decorrência da gravidade das queimaduras. Ela recebeu antibióticos e outros medicamentos para tentar aumentar as chances de sobrevivência, mas não resistiu. As queimaduras atingiram a cabeça, o rosto, o couro cabeludo, o pescoço, o tronco, os braços, as coxas e a região dos glúteos, conforme informações da unidade de saúde.
O suspeito foi preso depois de dar entrada em uma Unidade de Pronto Atendimento para receber atendimento médico. Ele apresentava queimaduras na perna direita. Na unidade de saúde, o homem tentou se passar por outra pessoa, mas foi identificado como o autor do crime. Com a morte da vítima, o caso, inicialmente registrado como tentativa de feminicídio, passa a ser tratado como feminicídio.
Em meio ao sofrimento, as filhas de Ana Paula fizeram um apelo para que outras mulheres não silenciem diante da violência doméstica: "Não permitam que homem nenhum toque em vocês, seja fisicamente ou de qualquer outra forma. Denunciem. Isso precisa acabar."
Ana Paula deixa quatro filhos. O número do Ligue 180, da Central de Atendimento à Mulher, está disponível 24 horas para denúncias de violência doméstica em todo o Brasil.







