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Polícia

Filha pede justiça no enterro de mulher queimada viva pelo ex-companheiro em Maceió

Ana Paula de Oliveira da Silva, de 43 anos, foi sepultada na segunda-feira (6) com homenagens da família, que cobra punição severa para o acusado, preso desde o dia do crime.

Redação ChicoSabeTudo
07 de julho, 2026 · 00:28 3 min de leitura
Família presta homenagem no sepultamento de Ana Paula, vítima de feminicídio em Maceió
Família presta homenagem no sepultamento de Ana Paula, vítima de feminicídio em Maceió

Ana Paula de Oliveira da Silva, de 43 anos, foi sepultada na segunda-feira (6) em Maceió, cercada de homenagens da família. Ela morreu no sábado (4) no Hospital Geral do Estado (HGE), onde estava internada desde o dia 26 de junho após ter 63% da superfície corporal atingida por queimaduras provocadas pelo ex-companheiro, Carlos Henrique Onofre dos Santos. Segundo informações divulgadas pelo portal IT Notícias, o sepultamento aconteceu no Cemitério São Luiz, no bairro da Santa Amélia, na capital alagoana.

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A filha Amanda Barbosa esteve presente e falou com a imprensa momentos antes do enterro, clamando por punição. Segundo a fonte original, ela contou que, nos dias que antecederam ao ataque, Ana Paula tinha saído de Maceió com medo do companheiro, mas ele foi atrás dela e ela acabou retornando. Dias depois, veio o crime. "Quero que ele pague aqui pelo que fez e que as leis que protegem as mulheres sejam respeitadas", disse a jovem. Amanda e a irmã Tayanara de Oliveira afirmam que o crime foi planejado e cobram justiça.

As filhas relatam que Ana Paula já havia sido espancada dias antes do ataque e a família chegou a registrar os hematomas em vídeo. Segundo elas, as discussões eram motivadas por constantes traições. A Polícia Civil informou que Ana Paula não havia registrado boletim de ocorrência nem solicitado medida protetiva contra o agressor, apesar de familiares relatarem um histórico de violência no relacionamento.

O crime aconteceu em uma área de mata na região conhecida como Favela da Coca, no bairro Tabuleiro dos Martins. De acordo com as investigações, Ana Paula foi levada até o local pelo agressor e teve o corpo incendiado. As filhas relataram que o suspeito saiu de casa para comprar gasolina antes de colocar o plano em prática. Mesmo com queimaduras gravíssimas, Ana Paula conseguiu sair do local e buscar ajuda. Segundo familiares, ela se arrastou até a rodovia, onde foi socorrida por populares e encaminhada ao HGE.

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Durante o tratamento, a vítima perdeu a visão e todo o cabelo em decorrência da gravidade das queimaduras. Ela recebeu antibióticos e outros medicamentos para tentar aumentar as chances de sobrevivência, mas não resistiu. As queimaduras atingiram a cabeça, o rosto, o couro cabeludo, o pescoço, o tronco, os braços, as coxas e a região dos glúteos, conforme informações da unidade de saúde.

O suspeito foi preso depois de dar entrada em uma Unidade de Pronto Atendimento para receber atendimento médico. Ele apresentava queimaduras na perna direita. Na unidade de saúde, o homem tentou se passar por outra pessoa, mas foi identificado como o autor do crime. Com a morte da vítima, o caso, inicialmente registrado como tentativa de feminicídio, passa a ser tratado como feminicídio.

Em meio ao sofrimento, as filhas de Ana Paula fizeram um apelo para que outras mulheres não silenciem diante da violência doméstica: "Não permitam que homem nenhum toque em vocês, seja fisicamente ou de qualquer outra forma. Denunciem. Isso precisa acabar."

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Ana Paula deixa quatro filhos. O número do Ligue 180, da Central de Atendimento à Mulher, está disponível 24 horas para denúncias de violência doméstica em todo o Brasil.

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