Uma viagem de volta para casa virou pesadelo para o empresário baiano Ivan Lopes e sua família. O grupo foi expulso de um voo da Air France que partiria de Paris, na França, com destino a Salvador, na Bahia, na última quarta-feira (14).
O incidente aconteceu na classe executiva do avião e envolveu Ivan, sua esposa, a filha Bruna, de 26 anos, e uma criança de 11 anos. A confusão começou por causa de um assento, que a família acreditava ser de direito após um upgrade pago.
O Upgrade De Classe Que Virou Problema
A família Lopes estava retornando de uma viagem pela Itália, mais especificamente de Milão. No aeroporto italiano, a Air France ofereceu um upgrade para a classe executiva por 1.600 euros, o equivalente a cerca de R$ 10 mil na cotação atual. "Ela ofertou por um preço que cabia no orçamento e aí a gente optou por dar esse upgrade. O voo da Air France seria Milão, Charles de Gaulle e direto para Salvador", contou Ivan ao Bahia Notícias.
Com as passagens da executiva em mãos, a família seguiu para o aeroporto Charles de Gaulle, nos arredores de Paris, para a conexão. Mas a surpresa veio logo no portão de embarque.
Uma funcionária da companhia avisou que o assento de Bruna estava "quebrado" e que ela teria que voltar para a classe econômica. A família não aceitou a mudança e, depois de um impasse, a comissária permitiu que todos entrassem no avião, sugerindo que "alguém poderia desistir", liberando um lugar na executiva.
Dentro da aeronave, a situação piorou. O assento 7L, que deveria ser de Bruna, estava ocupado por um homem. Ele seria, segundo relatos, um funcionário da própria Air France, realocado para aquele lugar porque o assento original dele (o 5L) também estava com defeito.
"Não sei como ele sabia disso, mas o cara chegou para a gente e falou: ‘vocês fizeram um upgrade, eu já costumo viajar de executivo. Eu comprei, mas não vou discutir com você, bom ver com o comissário de bordo’. Ele até tentou ajudar a gente, mas era um participante do processo; estava em uma cadeira que não era a dele de origem", explicou Ivan Lopes.
Bruna, que fala inglês fluentemente, tentou conversar com a equipe do voo para achar uma saída, já que o problema não era o assento "quebrado", mas sim ocupado indevidamente.
Comandante Grita e Polícia É Acionada
A tentativa de diálogo foi interrompida de forma brusca. O comandante do voo se aproximou, gritando e, segundo Ivan Lopes, chegou a colocar o "dedo no rosto" de Bruna. Vídeos gravados por outros passageiros mostram o momento em que o comandante pega o bilhete da mão da jovem e ameaça expulsar a família se eles não desocupassem o lugar.
Em um momento tenso, o comandante ainda tentou tomar o celular de Bruna para que ela apagasse as imagens. Uma outra passageira também disse que foi obrigada a deletar vídeos para poder seguir viagem.
Diante da escalada da discussão, a polícia francesa foi chamada. Após cerca de uma hora de impasse, os quatro membros da família Lopes foram retirados do avião pelas autoridades.
Retorno Com Prejuízo e Processo À Vista
Já na área interna do aeroporto, a polícia recomendou que a família não fizesse um Boletim de Ocorrência naquele momento e buscasse a agência da Air France para tentar um novo voo para Salvador. No entanto, a companhia informou que só os encaixaria em um novo voo se comprassem novas passagens, arcando com todos os custos.
A justificativa da funcionária foi que a família teria causado "prejuízos à companhia" pelo atraso de uma hora. Contudo, uma verificação no site FlightAware mostrou que o voo original chegou a Salvador no horário previsto, às 16h47.
Sem solução pela Air France, Ivan Lopes foi aconselhado por seu advogado a comprar passagens por outra empresa. Ele conseguiu embarcar no mesmo dia e chegou em Salvador na manhã seguinte.
O empresário contou ao Bahia Notícias que, além do abalo emocional, a situação gerou um prejuízo financeiro que se aproxima dos R$ 100 mil. Ele confirmou que vai entrar com um processo contra a Air France, pedindo o reembolso de todas as despesas e uma indenização por danos morais. A reportagem tentou contato com a Air France, mas não obteve resposta até o fechamento da matéria.







