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Polícia

Condenado a 14 anos, assassino do bailarino Ajax Vianna passou meses foragido antes de ser recapturado em Salvador

Gefferson Oliveira matou o coreógrafo do Teatro Castro Alves em dezembro de 2020, foi julgado e fugiu após a sentença — só preso meses depois pela Polícia Civil da Bahia

Redação ChicoSabeTudo
01 de julho, 2026 · 06:13 3 min de leitura
Ajax Vianna, bailarino e coreógrafo do Balé do Teatro Castro Alves de Salvador
Ajax Vianna, bailarino e coreógrafo do Balé do Teatro Castro Alves de Salvador

Um dos nomes mais respeitados da dança na Bahia, o coreógrafo e bailarino Ajax Gonçalves Vianna teve a vida encerrada de forma violenta em 23 de dezembro de 2020. O corpo de Ajax, que apresentava sinais de espancamento, foi encontrado em seu apartamento, localizado na Avenida Magalhães Neto, no bairro da Pituba, em Salvador.

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Gefferson do Nascimento Oliveira, então companheiro de Ajax, tinha 27 anos na época e foi preso em flagrante. Ele confessou o crime e foi encaminhado ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Cerca de dez meses depois, o Tribunal de Justiça da Bahia o colocou em liberdade para aguardar o julgamento, decisão que gerou revolta entre familiares e amigos do artista.

A filha de Ajax, Maria Gabriela, manifestou indignação publicamente na época. Ela questionou como alguém preso em flagrante e réu confesso poderia ser solto antes mesmo da primeira audiência do caso.

O julgamento concluiu que Gefferson seria condenado a 14 anos de prisão, decisão tomada após 15 horas de deliberação. Todas as teses do Ministério Público da Bahia, apresentadas pela promotora Isabel Adelaide Moura, foram acatadas. O crime foi qualificado por motivo torpe e pelo emprego de recurso que impossibilitou a defesa da vítima. A idade da vítima — que tinha mais de 60 anos na época do assassinato — foi outro fator agravante considerado pelos jurados.

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Gefferson tinha um mandado de prisão em aberto pelo crime de homicídio qualificado e estava foragido desde abril de 2024. Ele só foi localizado pela Polícia Civil da Bahia no bairro Porto Seco Pirajá, em Salvador. Após a prisão, Gefferson passou por exame de corpo de delito e foi encaminhado ao complexo penitenciário para o início do cumprimento da pena.

Ajax foi quase um fundador do Balé do Teatro Castro Alves, pois entrou na companhia um ano após sua fundação, em 1982, e de lá não saiu mais. Segundo colegas de palco, ele levou a vida inteira dançando balé, sendo considerado um dançarino exemplar, de técnica fora do comum.

Na dança, os estudos de Ajax começaram na segunda metade dos anos 1970, na Escola de Ballet Ebateca. Ele passou ainda pela Escola de Dança Cultura Física, pelo Ballet Bahiano de Tênis e fez parte do grupo de dança Frutos Tropicais. Entre as décadas de 1970 e 1980, chegou a vencer 18 concursos em discotecas, o que lhe rendeu o apelido de "John Travolta da Bahia".

Conhecido por esse apelido, o dançarino acumulou turnês nacionais e internacionais, pela Europa, Estados Unidos e América do Sul. Dias antes de ser assassinado, Ajax havia participado de uma gravação de vídeo institucional do Teatro Castro Alves, com integrantes do Balé e da Orquestra Sinfônica da Bahia, realizada em vários espaços do complexo do TCA, inclusive na Concha Acústica.

Antes de ser detido pela morte do companheiro, Gefferson já possuía passagens por estupro de vulnerável e havia um mandado de prisão em aberto em seu nome. A absolvição naquele caso ocorreu em 2021, segundo informações divulgadas pelo BNews. O longo caminho até a efetiva prisão do condenado deixou uma ferida aberta para os que conviveram com o artista baiano — e acendeu o debate sobre os limites da impunidade no sistema de Justiça brasileiro.

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