Um capitão da Polícia Militar da Bahia, lotado em Barreiras, está na mira de uma investigação por um suposto esquema de negócios com imóveis. O oficial Eder de Souza Santos é suspeito de usar sua influência e uma amizade poderosa para lucrar no mercado imobiliário da cidade do oeste baiano.
A conexão chave do esquema seria com a juíza Marlise Freire de Alvarenga, que atuava na 3ª Vara Cível de Barreiras. A magistrada foi afastada do cargo no ano passado, acusada de cobrar propina por sentenças, o que lhe rendeu o apelido de “Juíza Cinquentinha”.
Segundo o Boletim Geral Reservado (BGR) da PM, o capitão é sócio da empresa WM Empreendimentos Ltda., que atua na compra e venda de imóveis. A investigação aponta que ele mantinha uma “relação de proximidade pessoal e convivência reiterada” com a juíza.
A suspeita é que Eder de Souza Santos usava o prestígio dessa amizade para intermediar e influenciar interesses de terceiros na Justiça, buscando vantagens para si e para seus negócios particulares. O objetivo era obter favorecimento em processos ligados a imóveis.
O buraco pode ser ainda mais embaixo. O documento da corporação também levanta a possibilidade de o policial estar envolvido com agiotagem, ou seja, empréstimos a juros abusivos. Ele teria se aproveitado da influência da juíza para facilitar a cobrança das dívidas.
A própria condição de empresário já complica a vida do capitão. A lei proíbe que militares da ativa participem da administração ou gerência de empresas. Eles podem ser sócios ou acionistas, mas não podem estar no comando do negócio.
A sindicância foi aberta pela Corregedoria da PM no dia 25 de fevereiro e tem prazo inicial de 30 dias para apurar os indícios de infração administrativa cometida pelo oficial.







