O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) abriu, nesta quinta‑feira (23), um procedimento preparatório para investigar se a casa de apostas 7K Bet adotou práticas irregulares ao vincular a distribuição de ingressos a apostas.
O que motivou a apuração
A investigação apontou promoções em que o torcedor só conseguia ingresso após fazer uma aposta na plataforma — como se os ingressos viessem “colados” às apostas. Isso levanta a suspeita de venda casada, que é justamente o foco do Cade.
Dois exemplos citados na apuração chamaram atenção:
- Para o clássico entre Santos e Corinthians, torcedores teriam obtido ingresso ao apostar pelo menos R$ 70 no site da 7K Bet.
- No clássico Ba‑Vi, válido pela 28ª rodada do Campeonato Brasileiro, rubro‑negros do Vitória teriam conseguido ingresso após apostar R$ 30,00 na plataforma.
Isso configura venda casada? É justamente o que o Cade quer esclarecer.
“o clube não pode ser responsabilizado, pois fez apenas a venda dos ingressos para a patrocinadora, e a operação foi responsabilidade da empresa”, disseram fontes da diretoria do Vitória ao Bahia Notícias.
Fontes da diretoria do Vitória afirmaram que o clube teria apenas vendido os ingressos à patrocinadora, e que a operação promocional ficou a cargo da empresa.
O despacho que autorizou a abertura do procedimento foi assinado pelo superintendente‑geral do Cade, Alexandre Barreto, e menciona a possibilidade de “outras infrações” à ordem econômica, segundo o documento preliminar.
Contexto e alcance
O Cade disse que essa é a primeira investigação do órgão direcionada a uma casa de apostas online no país. A 7K Bet já teve contratos de patrocínio relevantes, com presença no Campeonato Paulista e em programas esportivos como Os Donos da Bola, da Band.
O acordo com o Vitória foi firmado em meados de dezembro e oficializado em janeiro. O contrato prevê valor anual de R$ 16 milhões, com possibilidade de chegar a R$ 20 milhões caso metas sejam cumpridas, e tem vigência até o fim de 2027. Na apresentação, o presidente do clube, Fábio Mota, chamou o patrocínio de o maior da história do Vitória.
O procedimento preparatório vai apurar essas práticas e pode evoluir para fases seguintes do processo administrativo, com investigação formal de eventuais infrações à ordem econômica.







