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Polícia

Atrás das grades, mas no WhatsApp: presidiários de PE montam esquema duplo para extorquir vítimas no DF

Operação Tróia da Polícia Civil do DF desmantelou uma quadrilha que combinava o golpe do amor com ameaças de falsa facção criminosa — tudo operado de dentro do Presídio de Igarassu, em Pernambuco.

Redação ChicoSabeTudo
02 de julho, 2026 · 03:11 2 min de leitura
Celular com aplicativo de relacionamento aberto sobre mesa, representando golpe do amor aplicado por presidiários de Pernambuco
Celular com aplicativo de relacionamento aberto sobre mesa, representando golpe do amor aplicado por presidiários de Pernambuco

Uma quadrilha operada de dentro de um presídio em Pernambuco extorquia moradores do Distrito Federal por meio de aplicativos de relacionamento, fingindo integrar uma facção criminosa. A Polícia Civil do DF deflagrou nesta quarta-feira (1º) a Operação Tróia, que desmantelou o esquema e revelou um nível de organização que preocupa autoridades.

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O golpe combinava duas fraudes conhecidas: o chamado "golpe do amor" — em que criminosos criam vínculos afetivos falsos para manipular vítimas — e as ameaças de falsos integrantes de facção. A comunicação era feita pelo WhatsApp e pelo Telegram, segundo confirmaram investigadores em múltiplas fontes.

O caso veio à tona após a denúncia de um morador do Riacho Fundo, região administrativa do DF. Ele contou que, depois de trocar mensagens com uma mulher conhecida em um aplicativo de relacionamentos — e revelar dados pessoais —, passou a receber ameaças de um indivíduo que se dizia membro de uma organização criminosa. O argumento usado era o de que a mulher era casada com um dos líderes da facção e que a vítima precisava pagar para evitar represálias.

Segundo o delegado Tell Marzal, as ligações de ameaça partiam de dentro do Presídio de Igarassu, em Pernambuco, onde os suspeitos cumpriam pena por outros crimes. "Eles exigiam que as vítimas fizessem transferências de valores para as contas indicadas", explicou o delegado. A pressão era brutal: quem não pagasse seria executado junto com a família.

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A divisão de tarefas era clara. Parte do grupo criava perfis falsos de mulheres em aplicativos e redes sociais. Outra parte conduzia as conversas com as vítimas, colhendo informações que seriam usadas para extorqui-las. Um terceiro núcleo, externo à prisão e composto por três mulheres, recebia os valores transferidos para contas de laranjas, sacava o dinheiro e o reinseria no mercado formal — lavagem de dinheiro clássica, segundo as investigações.

O Correio Braziliense apurou que mais de 30 vítimas foram identificadas no DF, com prejuízo financeiro estimado em mais de R$ 100 mil. A operação resultou em mandados de prisão e de busca e apreensão cumpridos em Pernambuco, em ação conjunta entre as polícias civis do DF e do estado nordestino.

O caso não é isolado. Uma pesquisa da empresa de cibersegurança Norton, divulgada no início de 2025, mostrou que um em cada cinco brasileiros que usam apps de relacionamento já foi alvo de cibercriminosos. Entre os golpes mais comuns, estão fraudes românticas (41% dos casos), catfishing (29%) e extorsão (15%). O alerta é válido para todo o país — inclusive para moradores da Bahia e do interior do Nordeste, onde o uso de aplicativos de namoro cresceu nos últimos anos.

Autoridades recomendam que usuários de aplicativos de relacionamento nunca compartilhem dados pessoais sensíveis com desconhecidos e que, diante de qualquer ameaça ou exigência de dinheiro, registrem boletim de ocorrência imediatamente. Transferências realizadas sob coação devem ser comunicadas ao banco e à polícia o quanto antes.

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