Luís Eduardo Magalhães, cidade no coração do Cerrado baiano, recebe mais uma vez o agronegócio do Norte e Nordeste do Brasil. De 8 a 13 de junho, o município sedia uma edição histórica da maior feira de tecnologia agrícola e negócios da região — a Bahia Farm Show, que há 20 anos reúne tecnologia agrícola, negócios, conhecimento e relacionamento no coração do agro brasileiro.
A edição comemorativa chega em bom momento para os números do campo. A Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba) confirmou o encerramento oficial da colheita de soja da safra 2025/26 com um marco inédito: recorde de produtividade de 71 sacas por hectare, o maior índice já registrado no estado. Os dados validados pelo Conselho Técnico confirmam a colheita de 9,448 milhões de toneladas em 2,218 milhões de hectares plantados.
A média de 71 sacas por hectare posiciona a Bahia como o estado com maior produtividade de soja do país na safra 2025/26, superando tradicionais polos produtores como Mato Grosso e Paraná. A média nacional de produtividade da soja gira em torno de 60 a 62 sacas por hectare, e a diferença de quase 10 sacas por hectare representa vantagem competitiva relevante para os produtores baianos.
A evolução da produção local é expressiva. Na safra 2024/25, a Bahia colheu 8,7 milhões de toneladas com média de 68 sacas por hectare — já então o melhor desempenho em 30 anos, segundo a Aiba. Agora, em 2025/26, o recorde foi superado novamente. O conselheiro técnico Orestes Mandelli atribui o resultado à combinação de clima favorável e uso racional de tecnologia e insumos por parte dos produtores.
Mas o cenário não é só de festa. De acordo com a Aiba, os números finais refletem a expertise e o empenho dos agricultores, ainda que o atual cenário global do mercado da commodity desfavoreça as margens. Paradoxalmente, a safra recorde traz um desafio para os produtores: com maior oferta, os estoques finais de soja podem chegar ao maior nível desde 2018/19, e mais grão disponível, somado a um ritmo mais lento de comercialização, tende a pressionar os preços para baixo.
No plano doméstico, o agronegócio brasileiro enfrenta juros elevados e crédito rural mais restrito. Segundo informações divulgadas pelo jornal A Tarde, com a Selic a 14,5%, produtores avaliam que o custo do financiamento corrói parte do ganho obtido com a alta produtividade. Nesse contexto, a própria Bahia Farm Show foi planejada para reagir ao ambiente adverso. Segundo Moisés Schmidt, presidente da feira e da Aiba, a edição deste ano foi pensada para ir na contramão do cenário de retração registrado em outros eventos do agro. "Estamos comemorando a nossa 20ª edição e apostamos diferente, vamos mostrar que acreditamos no agro forte e sustentável", destacou.
A Bahia Farm Show ampliou em 35% a sua área e registrou um aumento no número de expositores, que ultrapassou a marca dos 600. A feira foi responsável pela criação de mais de 8 mil empregos diretos e indiretos apenas no último ciclo. E os impactos vão além do setor primário: segundo informações divulgadas pelo A Tarde, a cadeia que se movimenta inclui hotéis, restaurantes, aluguéis e comércio em geral em toda a região do Oeste baiano.
A região tem raízes profundas no processo migratório das décadas de 1970 e 1980, quando famílias do Sul do país se instalaram no Cerrado em busca de oportunidades. Segundo informações divulgadas pelo A Tarde, o Oeste baiano concentra 89% da produção estadual de grãos — entre 9 e 10 milhões de toneladas por ano — e 96% da produção estadual de algodão, com 843 mil toneladas de algodão em pluma. A economia regional é estimada em R$ 40 bilhões e responde por 14% do PIB da Bahia.
Para além dos números, a 20ª edição da Bahia Farm Show também terá novidades institucionais. O governo federal deve anunciar um crédito de R$ 14 bilhões, por meio do programa Move Brasil, para o financiamento de máquinas agrícolas — informação antecipada pelo ministro da Agricultura, André de Paula. Além do vice-presidente Geraldo Alckmin, já confirmaram presença o ministro da Agricultura, André de Paula, o da Integração e Desenvolvimento Rural, Waldez Goes, e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.
A primeira edição da Bahia Farm Show, em 2004, recebeu mais de 20 mil visitantes e cerca de 200 expositores. Em 2025, a feira alcançou recordes históricos, com 162.370 visitantes, 434 expositores e mais de 1.000 marcas. Vinte anos depois, a feira chega maior — mas também mais pressionada por um mercado global que não garante que recordes no campo se traduzam automaticamente em lucro no caixa.







