Professores da rede municipal de Rio Real, no nordeste da Bahia, se reuniram nesta terça-feira (8) no auditório da Escola Djalma Faria para o Encontro Formativo "Páginas de Aprendizado". A iniciativa voltada ao fortalecimento das práticas de alfabetização e letramento reuniu docentes dos anos iniciais do Ensino Fundamental em torno de um debate que vai além do aprender a ler: ensinar a criança a distinguir o verdadeiro do falso no universo de informações que chega até ela.
A formação integra as ações do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, do Programa Bahia Alfabetizada e do projeto Páginas de Aprendizado, desenvolvido em parceria entre a Secretaria da Educação do Estado da Bahia (SEC) e o Programa A TARDE Educação. A atividade foi conduzida pela coordenadora pedagógica Márcia Firmino e pela mestra em Educação Fernanda Souza, da equipe do A TARDE Educação, e aberta com uma apresentação musical dos talentos locais Bárbara Letícia e Gabriel Lucas.
O professor John Santos, que atua na Escola Municipal Tiradentes e na Escola Municipal 2 de Julho, avaliou que a formação amplia o repertório para trabalhar gêneros textuais em sala. "A gente consegue introduzir mais notícias na sala de aula e ensinar os alunos a identificar fontes confiáveis", disse ele, acrescentando que isso ajuda a separar informação verdadeira de fake news e melhora a qualidade da leitura e da produção textual dos estudantes.
Para a professora Cleonice de Alcântara, da Escola Edina Cardoso, o contato com o jornal traz novas estratégias pedagógicas diante dos desafios da era digital. Ela ressaltou que o uso do jornal contribui para minimizar os impactos da desinformação e estimular o pensamento analítico dos estudantes, especialmente diante do crescente uso da inteligência artificial e das redes sociais.
Já a professora Maria Helena, da Escola Municipal Recanto de Fada, destacou que trabalhar com notícias reais aproxima os conteúdos escolares da vida dos alunos. Segundo ela, a criança passa a refletir sobre o impacto das notícias em sua própria comunidade, tornando-se um cidadão mais crítico e participativo.
O secretário municipal de Educação, Silvane Santos, esteve presente e defendeu a formação continuada como caminho direto para elevar a qualidade do ensino público. "Quando falamos em investir em formação de professores, nós estamos falando da melhoria da qualidade do ensino", afirmou, destacando que a troca de experiências entre docentes amplia as possibilidades de aprendizagem dos estudantes.
A iniciativa chega em um momento relevante para a educação baiana. Em 2025, a Bahia alcançou 55% de crianças alfabetizadas na idade adequada, um crescimento de 19 pontos percentuais em relação a 2024, quando o índice era de 36%, superando a meta nacional de 50% estabelecida pelo Ministério da Educação (MEC). Ainda assim, o estado ocupa a 24ª posição no ranking nacional e segue distante da meta de 80% de crianças alfabetizadas até 2030.
O Programa Bahia Alfabetizada, que embasa ações como a de Rio Real, foi instituído pelo Governo da Bahia por meio da Lei nº 25.668/2025. O objetivo é fortalecer o regime de colaboração entre o Estado e os 417 municípios baianos na busca pela alfabetização das crianças na idade adequada e no combate ao analfabetismo. Entre as frentes do programa, estão a capacitação de professores da rede municipal com apoio das universidades estaduais e a distribuição de material pedagógico específico para a alfabetização.







