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Municipios

Morre Dona Noquinha, comerciante pioneira de Paulo Afonso, aos 102

Comerciante chegou à cidade nos anos 1950 e fundou o Armarinho Popular, referência no município

Redação ChicoSabeTudo
25 de agosto, 2026 · 13:35 2 min de leitura

Morreu nesta segunda-feira (24) Noélia Bezerra da Silva, conhecida como Dona Noquinha, aos 102 anos. Ela era uma das moradoras mais longevas de Paulo Afonso e uma figura marcante na história do comércio e da formação da cidade.

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Noélia nasceu em 6 de setembro de 1923, em Riachuelo, no interior de Sergipe. Chegou a Paulo Afonso no início dos anos 1950, época em que o município ainda tinha os nomes de Forquilha e Vila Poty.

Foi ao lado do segundo marido, Boaventura José da Silva, que ela começou sua trajetória como comerciante. O casal abriu uma pequena bodega na Rua da Frente, perto da Igreja Nossa Senhora de Fátima — hoje Catedral da Diocese de Paulo Afonso.

Com o tempo, Dona Noquinha convenceu o marido a deixar de vender bebidas e apostar em outro tipo de negócio. Assim nasceu o Armarinho Popular de Dona Noquinha, que virou referência na cidade e chegou a abastecer outros comerciantes locais. No armarinho, ela vendia linhas e materiais de costura e bordado, flores, artesanato, itens de decoração, bonecas e arranjos para noivas, muitos feitos por ela própria.

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A partir dos anos 1960, quando a feira livre saiu do Acampamento da Chesf e passou para a antiga Rua da Frente — atual Avenida Getúlio Vargas —, o casal também manteve uma banca conhecida como Banca de Dona Noquinha. Depois que compraram um Jeep, passaram a levar mercadorias para feiras e povoados de Paulo Afonso e de cidades vizinhas, como Glória e Água Branca.

A trajetória de Dona Noquinha foi registrada em livro pelo historiador, professor e escritor Antônio Galdino, publicado em 2014 sobre a memória dos pioneiros de Paulo Afonso. Em setembro de 2024, quando ela completou 101 anos, Galdino também escreveu uma homenagem a ela no jornal Folha Sertaneja.

Entre as memórias que ela costumava contar estava uma pneumonia grave enfrentada na década de 1960, que a deixou cerca de quatro meses internada, em estado considerado delicado pelo médico do Hospital da Chesf, Dr. Militão.

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Como comerciante, Dona Noquinha também contribuía, junto com outros lojistas, para a construção do Ginásio Paulo Afonso, atual Colégio Sete de Setembro.

Ela ficou viúva pela segunda vez em 1988 e criou sozinha os cinco filhos: Adigenal, Silvana, Sineide, Evandro e Evilásio. Em 2024, ao completar 101 anos, recebeu homenagens de familiares e conhecidos, entre elas uma mensagem em vídeo do empresário Francisco Rodrigues, da Rio Malhas, gravada com funcionários da empresa.

Dona Noquinha deixa uma história de mais de um século de vida e um legado ligado aos primeiros anos de desenvolvimento de Paulo Afonso.

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