Morreu nesta segunda-feira (24) Noélia Bezerra da Silva, conhecida como Dona Noquinha, aos 102 anos. Ela era uma das moradoras mais longevas de Paulo Afonso e uma figura marcante na história do comércio e da formação da cidade.
Noélia nasceu em 6 de setembro de 1923, em Riachuelo, no interior de Sergipe. Chegou a Paulo Afonso no início dos anos 1950, época em que o município ainda tinha os nomes de Forquilha e Vila Poty.
Foi ao lado do segundo marido, Boaventura José da Silva, que ela começou sua trajetória como comerciante. O casal abriu uma pequena bodega na Rua da Frente, perto da Igreja Nossa Senhora de Fátima — hoje Catedral da Diocese de Paulo Afonso.
Com o tempo, Dona Noquinha convenceu o marido a deixar de vender bebidas e apostar em outro tipo de negócio. Assim nasceu o Armarinho Popular de Dona Noquinha, que virou referência na cidade e chegou a abastecer outros comerciantes locais. No armarinho, ela vendia linhas e materiais de costura e bordado, flores, artesanato, itens de decoração, bonecas e arranjos para noivas, muitos feitos por ela própria.
A partir dos anos 1960, quando a feira livre saiu do Acampamento da Chesf e passou para a antiga Rua da Frente — atual Avenida Getúlio Vargas —, o casal também manteve uma banca conhecida como Banca de Dona Noquinha. Depois que compraram um Jeep, passaram a levar mercadorias para feiras e povoados de Paulo Afonso e de cidades vizinhas, como Glória e Água Branca.
A trajetória de Dona Noquinha foi registrada em livro pelo historiador, professor e escritor Antônio Galdino, publicado em 2014 sobre a memória dos pioneiros de Paulo Afonso. Em setembro de 2024, quando ela completou 101 anos, Galdino também escreveu uma homenagem a ela no jornal Folha Sertaneja.
Entre as memórias que ela costumava contar estava uma pneumonia grave enfrentada na década de 1960, que a deixou cerca de quatro meses internada, em estado considerado delicado pelo médico do Hospital da Chesf, Dr. Militão.
Como comerciante, Dona Noquinha também contribuía, junto com outros lojistas, para a construção do Ginásio Paulo Afonso, atual Colégio Sete de Setembro.
Ela ficou viúva pela segunda vez em 1988 e criou sozinha os cinco filhos: Adigenal, Silvana, Sineide, Evandro e Evilásio. Em 2024, ao completar 101 anos, recebeu homenagens de familiares e conhecidos, entre elas uma mensagem em vídeo do empresário Francisco Rodrigues, da Rio Malhas, gravada com funcionários da empresa.
Dona Noquinha deixa uma história de mais de um século de vida e um legado ligado aos primeiros anos de desenvolvimento de Paulo Afonso.







