Morreu aos 102 anos, em Paulo Afonso, a comerciante Noélia Bezerra da Silva, conhecida como Dona Noquinha. Ela era vista como uma figura pioneira e muito querida na cidade.
Dona Noquinha nasceu em Riachuelo, no Sergipe, em 6 de setembro de 1923. Ela chegou à região de Paulo Afonso ainda no início dos anos 1950, quando o local era conhecido como Forquilha e Vila Poty.
A comerciante passou a viver na cidade após seu segundo casamento, com Boaventura José da Silva, que trabalhava com venda de redes na Lagoa da Pedra. Foi ao lado da Catedral Nossa Senhora de Fátima que ela começou seu primeiro negócio, uma bodega.
Com o tempo, Dona Noquinha passou a vender biscuits, flores e artigos de artesanato, sob o nome de Armarinho Popular. O pequeno comércio fornecia mercadorias para outras lojas da cidade, como a Casa das Linhas, o Armarinho Imperial e o Bazar das Novidades.
Em 1960, quando a feira livre da cidade foi transferida da área da Chesf para a Avenida Getúlio Vargas, ela montou uma banca que ficou conhecida como Banca de Dona Noquinha. Junto com o marido, passou a levar produtos também para feiras de outros municípios da região e para povoados da zona rural, usando um Jeep para o transporte.
Nessas viagens ao interior, quando os moradores não tinham dinheiro, as trocas eram feitas com alimentos produzidos nas roças.
Ainda por volta de 1960, Dona Noquinha enfrentou uma pneumonia grave e ficou quatro meses internada até se recuperar. Em 1988, ficou viúva pela segunda vez e assumiu sozinha a criação dos cinco filhos: Adgenal, Evandro, Silvana, Evilásio e Sineide. Evandro, Silvana e Evilásio já haviam falecido antes dela.
Ela deixa também oito netos — Rosana, Rodrigo, Rogério, Paulo, Iana, Aline, Fernanda e Alexandra — e nove bisnetos: Maria Laura, Igor, Davi, Ana Carolina, Maria Valentina, Maria Clara, João Antônio, Ian e Giovana.
Ao longo da vida, Dona Noquinha também contribuiu com doações mensais para a construção do Ginásio Sete de Setembro e acompanhou de perto a construção da Catedral Nossa Senhora de Fátima, erguida ao lado de sua própria casa.
O médico Dr. Militão, diretor do Hospital Nair Alves de Souza, esteve com ela nos últimos momentos. Segundo ele, a comerciante "estava com a vela na mão" ao morrer.







