A Justiça impediu o Bradesco de fechar a única agência bancária de Macururé, no norte da Bahia. O encerramento estava marcado para esta sexta-feira (19), mas a decisão judicial obriga o banco a manter a unidade funcionando.
A medida atende a uma ação movida pela Prefeitura de Macururé, que recorreu à Justiça na última terça-feira (16) para tentar reverter o fechamento. Antes disso, no dia 9 de junho, a Câmara Municipal já havia realizado uma audiência pública para discutir os impactos da medida sobre a população.
O município tem cerca de 7,2 mil habitantes e fica na região do Vale do São Francisco. Mais de 2 mil clientes do Bradesco seriam transferidos para a agência de Chorrochó, cidade a cerca de 34 quilômetros de distância, um trajeto de aproximadamente 37 minutos.
O caso preocupou especialmente os representantes da categoria bancária. Segundo o diretor do Sindicato dos Bancários da Bahia, Ronaldo Ornelas, cerca de 90% dos clientes atendidos pela agência de Macururé são aposentados e idosos, parte deles sem familiaridade com aplicativos e serviços digitais. De acordo com o sindicalista, o fechamento representaria "um prejuízo grande para a população".
O fechamento fazia parte de um plano de reestruturação que o Bradesco vem aplicando em todo o país desde outubro de 2023, com redução de agências físicas e migração para o atendimento digital. A Bahia é um dos estados mais afetados: somente em 2025, o banco fechou unidades em dezenas de municípios, deixando várias cidades sem nenhuma agência bancária.
Macururé entra para uma lista de cidades baianas que conseguiram decisões judiciais para barrar o Bradesco, como Pedro Alexandre, Caldeirão Grande e a própria Chorrochó. Em alguns desses casos, no entanto, o banco já descumpriu determinações da Justiça anteriormente, o que mantém moradores e prefeitura em alerta quanto ao cumprimento da nova decisão.







