A cidade de Tucano, no semiárido da Bahia, está se confirmando como um importante lugar para a arqueologia do Brasil. A mais recente novidade é que o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) já marcou uma visita técnica para a região. O objetivo é oficializar dois novos sítios arqueológicos encontrados pelo historiador André Carvalho. A informação foi confirmada nesta segunda-feira (19).
Essa visita do Iphan acontece por causa de descobertas importantes. Na última quarta-feira (14), por exemplo, no povoado de Poção, que fica na Serra, o historiador achou mais sinais de pinturas rupestres. Ele foi guiado por moradores locais, Diguinho e Orlando, em uma área que já tem um sítio arqueológico reconhecido pelo Iphan.
Mas não foi só em Poção que André Carvalho fez grandes achados. Em 29 de novembro, no distrito de Tracupá, também em Tucano, ele encontrou outro sítio. Naquela ocasião, o ator Othon Bastos estava visitando a localidade. Foi o presidente da Cooperativa de Artefatos de Couro de Tracupá (COOPACT), Adriano Ferreira, quem contou ao historiador sobre um lugar chamado “Toca do Índio”.
Depois de andar cerca de um quilômetro por entre pedras e pastagens, Carvalho descobriu pinturas rupestres que usam uma técnica diferente: o pontilhado. Essa forma de pintar é única e se destaca das outras seis áreas com gravuras e pinturas que ele já tinha encontrado e catalogado no município.
André Carvalho é um historiador e mestre em História pela Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs). Seu trabalho em Tucano começou a ganhar destaque ainda em agosto de 2024, quando ele encontrou, quase por acaso, um conjunto de gravuras rupestres na Fazenda Mariza. Esse primeiro achado foi logo validado por especialistas, como o arqueólogo Carlos Etchevarne, da UFBA, e abriu caminho para um mapeamento detalhado da região.
As descobertas em Tucano têm chamado a atenção de muita gente, inclusive de pesquisadores importantes. Professores da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), como Carlos Alberto Santos Costa e Henry Luydy Abraham Fernandes, que são especialistas em Arqueologia e Museologia, já estão organizando visitas técnicas. Eles querem estudar mais a fundo como os primeiros grupos humanos viviam no semiárido da Bahia.
“Os novos sinais em Poção e Tracupá mostram que a região pode revelar muito mais sobre a história dos primeiros habitantes da Bahia”, disse o historiador André Carvalho, destacando o grande potencial científico que Tucano ainda esconde.
Com a certificação oficial do Iphan, esses novos sítios vão fazer parte do patrimônio arqueológico brasileiro. Isso é muito importante, pois abre portas para que a região desenvolva o turismo focado na comunidade e ajude a proteger a história local. O trabalho de Carvalho tem sido essencial, conectando moradores, fazendeiros e órgãos como o Iphan, sempre defendendo a preservação desse patrimônio e o desenvolvimento de um turismo que valorize a ciência e a cultura.
A história de Tucano sempre foi marcada pela rota dos tropeiros e pela passagem de figuras famosas como Antônio Conselheiro e Lampião. Agora, as descobertas de André Carvalho mostram que a cidade foi muito mais que isso: ela foi o lar de civilizações antigas muito antes do período colonial, revelando uma nova e fascinante camada em sua rica história.







