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Água Branca entra na rota colonial de Alagoas com igrejas imperiais, casarão do cangaço e cachoeiras no sertão

Cidade do Alto Sertão alagoano reúne patrimônio do século XVII, a história do Barão que financiou a Igreja Matriz e o casarão alvo do primeiro grande assalto de Lampião.

Redação ChicoSabeTudo
10 de julho, 2026 · 12:28 3 min de leitura
Centro histórico de Água Branca com a Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição ao fundo
Centro histórico de Água Branca com a Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição ao fundo

Uma cidade serrana encravada no Alto Sertão de Alagoas guarda, em poucas ruas de calçamento irregular, séculos de história do Nordeste. Água Branca é o segundo destino da recém-criada Rota Turística das Cidades Coloniais Alagoanas, instituída pela Lei Federal 15.444, sancionada pelo presidente Lula no fim de junho de 2026, e que reúne sete municípios com patrimônios reconhecidos pelo Iphan.

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O circuito inclui Marechal Deodoro, Penedo, Piranhas, Delmiro Gouveia, União dos Palmares, Porto Calvo e Água Branca. Com a lei, é possível destinar recursos de programas oficiais da União para estruturar e promover o turismo histórico, de natureza e de aventura na região, além de valorizar a preservação da história e a diversidade cultural do Nordeste.

Fundada no século XVII a partir de sesmarias e da influência da família portuguesa Vieira Sandes — que dominou o território com fazendas de gado —, Água Branca concentra no seu centro histórico igrejas, casarões, a Praça da Matriz e a Praça de Nossa Senhora do Rosário. A cidade possui uma das arquiteturas coloniais mais bem preservadas do estado de Alagoas, sendo um marco na interiorização e ocupação do semiárido nordestino.

O ponto de partida de qualquer visita é a Capela de Nossa Senhora do Rosário, a "Igrejinha do Rosário", datada de 1770 e considerada a primeira igreja erguida no município. Logo adiante, destaca-se a Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição: construída em 1871 pelo Barão de Água Branca, ela se destaca por sua fachada e rica decoração barroca e neoclássica, sendo considerada um dos templos religiosos mais bonitos do sertão alagoano, com arquitetura imponente bem preservada e pinturas detalhadas no teto.

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Por trás da construção da Matriz está uma das figuras centrais da história local. O casarão do Barão de Água Branca, nome de Joaquim Antônio de Siqueira Torres (1808–1888), político influente e grande fazendeiro do Alto Sertão, tornou-se um marco histórico na região. Ele recebeu o título nobiliárquico de D. Pedro II em 1879 por financiar a construção da Igreja Matriz local. É lembrado por consolidar a presença da família Siqueira Torres no sertão nordestino e por seu prestígio junto ao Império.

O casarão carrega ainda um episódio que entrou para a história do cangaço. O assalto à residência da Baronesa Joana Vieira de Siqueira Torres repercutiu nos grandes centros e foi destaque em vários jornais da época, dada a importância dos envolvidos e a grande quantidade de joias e dinheiro subtraídos pelo bando. A invasão foi o primeiro assalto promovido por Lampião como comandante de um bando cangaceiro. O imóvel está destinado a abrigar o acervo histórico e cultural do município.

O conjunto arquitetônico do centro é completado pelos casarões coloniais da Praça Fernandes Lima, com calçamento e fachadas históricas que compõem o perímetro tombado pela Lei Municipal nº 447/71. Segundo informações da fonte original, a proteção abrange o conjunto arquitetônico a nível municipal.

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Mas Água Branca não vive só do passado. A natureza do Alto Sertão é outro cartão de visitas. A cachoeira do Vai e Vem, maior atração natural do município, oferece piscinas naturais, águas de coloração escura e quedas d'água com trilha de fácil acesso. Já a cachoeira do Quebra-Cabeça, na divisa com Pariconha, é conhecida pelo "tobogã natural" formado pelas pedras e pelas condições ideais para banho.

Com a nova rota federal, a iniciativa valoriza a diversidade cultural da região, promovendo as cidades para receber um fluxo maior de visitantes e impulsionando a geração de emprego e renda para a população local. Para os moradores da região do São Francisco — a poucos quilômetros de Água Branca —, o destino representa uma das poucas oportunidades de mergulhar na história colonial do sertão alagoano sem percorrer centenas de quilômetros até o litoral.

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