O Esporte Clube Vitória está de volta a uma final da Copa do Nordeste depois de 16 anos de espera. Vitória e Fortaleza garantiram vaga na decisão do torneio regional após semifinais marcadas por emoção, viradas e muitos gols. Com a vaga confirmada, veio também uma discussão histórica que não tem resposta simples: se o Rubro-Negro baiano levantar o troféu, será o quinto ou o sexto título do clube na competição?
O Vitória possui quatro títulos da Copa do Nordeste segundo a CBF. Já o Fortaleza soma três. O Bahia é o recordista de conquistas da competição, com cinco. Pela contagem oficial, uma vitória na final tornaria o Vitória pentacampeão, igualando o arquirrival Bahia — que conquistou o quinto título em 2025.
Mas o clube da Barra não enxerga assim. O Vitória contabiliza também o título do Torneio José Américo de Almeida Filho, disputado em 1976, e já se considera pentacampeão. Após a classificação para a final diante do Fortaleza, conquistada com a eliminação do ABC, o presidente do Vitória, Fábio Mota, voltou a defender o reconhecimento do título de 1976 e afirmou que o clube está em busca do "hexa".
O Torneio José Américo de Almeida Filho de 1976 foi uma competição de futebol organizada pela FPF-PB, realizada no Nordeste brasileiro e que reuniu, predominantemente, campeões e vice estaduais da região. O campeão foi o Vitória, tendo como vice o América de Natal. O fato peculiar desse torneio foi a participação do Volta Redonda, clube convidado do Rio de Janeiro. Na final, o Rubro-Negro venceu por 3 a 0, com gols de Zé Júlio (dois) e Geraldão.
A questão do reconhecimento tem histórico longo e sem desfecho. A competição chegou a ser reconhecida inicialmente pela CBF em setembro de 2012, através do Guia do Campeonato Brasileiro daquele ano. Porém, o reconhecimento de títulos pela CBF vem através de Resoluções de Presidência, não do Guia. Apesar dos apelos do Vitória, a competição não é reconhecida de forma oficial pela CBF como Copa do Nordeste.
Do lado dos céticos, há argumentos pesados. Segundo historiadores do futebol baiano, o assunto já foi amplamente discutido. O título de 1976 não é considerado uma Copa do Nordeste. O Torneio José Américo de Almeida Filho nunca foi considerado uma Copa do Nordeste. Tinha até um time do Rio de Janeiro disputando, o Volta Redonda.
O debate sobre reconhecimento não é exclusivo do Vitória. Um eventual reconhecimento do Torneio José Américo abriria precedentes para que outros clubes também buscassem a validação de competições regionais anteriores. O Náutico, por exemplo, reivindica o reconhecimento da Copa Norte, disputada em 1965, 1966 e 1967, que reuniu equipes das regiões Norte e Nordeste dentro da Taça Brasil.
Enquanto a burocracia não resolve, o campo vai dar a resposta mais imediata. As equipes se enfrentam nos dias 3 e 7 de junho em busca da taça da principal competição do futebol nordestino. O confronto decisivo terá mando do Vitória, que encerra a final diante da torcida baiana. Para o torcedor rubro-negro, independentemente do que diz a CBF, o troféu na prateleira valerá pelo número que o coração mandar contar.







