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Valfredão parado: Crise hídrica pode tirar Jacuipense da Série D

Com o estádio Valfredão parado devido à crise hídrica e obras, o Jacuipense enfrenta altos custos jogando fora e pode reavaliar sua participação na Série D.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Esportes
15 de janeiro, 2026 · 03:04 4 min de leitura
Foto: Acervo Bahia Notícias
Foto: Acervo Bahia Notícias

O Jacuipense, conhecido como Leão do Sisal, está enfrentando uma temporada cheia de desafios dentro e fora de campo, com o futuro no Campeonato Brasileiro da Série D em xeque. O problema central é a impossibilidade de jogar em sua casa, o Estádio Eliel Martins, o Valfredão, em Riachão de Jacuípe, na Bahia. As obras de reforma do estádio estão emperradas, principalmente por causa de uma grave crise hídrica na região e a falta de equipamentos, o que força o clube a buscar estádios alternativos com custos muito elevados.

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Essa situação já fez o Jacuipense estrear no Campeonato Baiano de 2026 longe de sua torcida, utilizando o Estádio de Pituaçu, em Salvador, contra o Vitória. No entanto, jogar fora de casa não é apenas uma questão de logística; tem um impacto financeiro enorme, que pode levar o clube a reavaliar sua participação em competições nacionais.

Obras do Valfredão e a Crise da Água: Um Obstáculo Gigante

O retorno ao Valfredão é a chave para o Jacuipense, mas a conclusão das obras está em um impasse. Edmilson Pimenta, administrador da Construtora Santa Izabel, responsável pela reforma, garantiu que os recursos financeiros, antes travados por emendas parlamentares, já foram liberados. O grande nó, porém, não é dinheiro, mas sim a dificuldade de encontrar máquinas disponíveis na região para o nivelamento do campo e, sobretudo, a crise de água que assola o município.

"Existe um problema sério de água. Riachão está passando por uma crise hídrica. Hoje, o município não tem água suficiente. Se eu plantar a grama sem água, ela vai morrer. E eu não vou comprar grama duas vezes. O contrato prevê a compra apenas uma vez", explicou Edmilson Pimenta.

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Com essa realidade, o plantio do novo gramado, essencial para a finalização, não pode avançar. A construtora prevê a conclusão de tudo em cerca de 45 dias, mas só "desde que tenhamos água" e que a modernização da iluminação (com LED) seja finalizada. Infelizmente, a volta do Jacuipense ao Valfredão ainda durante o Campeonato Baiano já está descartada, com uma remota esperança de uso para a Copa do Nordeste, caso as condições permitam.

Custos Elevados e Impacto Financeiro da 'Casa Longe'

Atuar longe de Riachão de Jacuípe significa uma sangria no caixa do clube. As despesas com aluguel de estádio, segurança privada, seguro, ambulância e o aumento do efetivo policial são custos que o clube não teria em casa. Uma fonte ligada à Prefeitura de Riachão de Jacuípe destacou a gravidade da situação:

"Não está sendo fácil jogar fora de Riachão, longe do nosso torcedor. O distanciamento do torcedor pesa muito. Jogar fora gera custos sempre maiores e a falta de mando de campo nos deixa vulneráveis."

A diferença na arrecadação é gritante. No jogo contra o Vitória em Pituaçu, o público foi pouco mais de 1.300 torcedores. Em Riachão, contra o mesmo adversário, o clube estima que teria cerca de 3 mil fãs, com custos menores e um retorno financeiro muito maior. A alternativa da Arena Cajueiro, em Feira de Santana, também é vista como inviável, com o custo de aluguel por jogo podendo ultrapassar R$ 50 mil, um valor insustentável para a realidade do Jacuipense.

Série D: Exigências Maiores, Riscos Dobrados

O cenário se torna ainda mais preocupante ao pensar na Série D do Campeonato Brasileiro. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) impõe exigências de estrutura e capacidade de público muito mais rigorosas do que as do Campeonato Baiano. A liberação recente de Pituaçu para apenas três mil torcedores, por exemplo, pode não ser suficiente para as normas da entidade.

Diante desse quadro, a diretoria do Jacuipense não descarta a possibilidade de reavaliar sua participação na competição nacional. "A gente vai fazer uma avaliação no momento correto. Não gostaria de usar a palavra desistência, mas será uma análise muito racional", afirmou a fonte. A meta é não comprometer ainda mais a saúde financeira do clube.

Enquanto as incertezas persistem, o Jacuipense segue com sua agenda. O próximo desafio é neste sábado (17) contra o Barcelona de Ilhéus, como visitante, na Arena Cajueiro, em Feira de Santana. O time busca seus primeiros três pontos no Baianão, após uma derrota e um empate nas rodadas anteriores. No dia 24 de janeiro, o Jacupa volta a Salvador para enfrentar o Galícia, em Pituaçu, como mandante, às 16h.

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