Os treinadores brasileiros precisam apresentar resultados muito melhores que os estrangeiros para manterem seus empregos. Um estudo inédito do Bolavip Brasil comprovou que os dirigentes de clubes da Série A têm 20% mais tolerância com profissionais de fora do país quando os resultados negativos aparecem.
O levantamento analisou as 100 passagens mais longas de técnicos que terminaram em demissão entre 2019 e 2024. Os números mostram que, enquanto o brasileiro é demitido com um aproveitamento médio de 42,5%, o estrangeiro só perde o cargo quando o rendimento despenca para 34,1%.
A diferença fica nítida quando observamos casos extremos. Apenas técnicos estrangeiros conseguiram ser mantidos no cargo com aproveitamentos baixíssimos, abaixo de 20%. Gabriel Milito no Atlético-MG e Juan Vojvoda no Fortaleza são exemplos de profissionais que continuaram trabalhando mesmo após sequências muito ruins de pontos.
Por outro lado, o técnico brasileiro sente o peso da mão dos dirigentes muito mais cedo. Nomes conhecidos como Rogério Ceni e Filipe Luís já foram demitidos mesmo apresentando aproveitamentos superiores a 50% ou 60% em seus últimos jogos, algo que raramente acontece com quem vem de fora.
A pesquisa considerou 28 clubes que passaram pela elite do futebol nacional nos últimos anos. A média geral para que um presidente de clube decida pela troca do comando técnico no Brasil é de 41,4% de aproveitamento nas dez partidas que antecedem a demissão.
O estudo reforça a percepção de que existe um prestígio maior para quem tem passaporte estrangeiro. Enquanto Enderson Moreira acumulou quatro demissões no período, mesmo com média de 55,8% de pontos, os gringos garantem uma sobrevida maior mesmo em fases de crise aguda.







