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Sete baianos foram à Copa sem jogar pelo estado: Bremer e Danilo engrossam lista histórica

Com a convocação da dupla para o Mundial de 2026, a Bahia chega a 15 jogadores escalados para Copas — e metade deles nunca atuou profissionalmente por um clube baiano.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Esportes
20 de maio, 2026 · 00:06 3 min de leitura
Bremer e Danilo Santos, baianos convocados para a Copa do Mundo de 2026 pela Seleção Brasileira
Bremer e Danilo Santos, baianos convocados para a Copa do Mundo de 2026 pela Seleção Brasileira

A convocação de Bremer e Danilo Santos para a Copa do Mundo de 2026 acendeu o orgulho baiano — mas também escancarou uma curiosidade estatística que atravessa décadas. Com os dois nomes na lista, o estado chegou à marca de 15 jogadores convocados para Copas do Mundo pela Seleção Brasileira. Desse total, sete nunca vestiram a camisa de um clube baiano no futebol profissional.

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A Bahia terá dois representantes na Seleção Brasileira durante a Copa do Mundo de 2026. O técnico Carlo Ancelotti anunciou, no dia 18 de maio, no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, a lista dos 26 convocados para o Mundial. O Brasil está no Grupo C ao lado de Marrocos, Escócia e Haiti, com estreia marcada para o dia 13 de junho, contra os marroquinos, em Nova Jersey.

A lista dos baianos que chegaram ao Mundial sem passagem profissional pelo futebol local reúne gerações distintas, segundo levantamento do portal Bahia Notícias: Zózimo (Salvador, 1958 e 1962), Luís Pereira (Juazeiro, 1974), Aldair (Ilhéus, 1990, 1994 e 1998), Júnior Baiano (Feira de Santana, 1998), Dante (Salvador, 2014), Bremer (Itapitanga, 2022 e 2026) e Danilo Santos (Salvador, 2026). Juntos, eles somam 12 convocações para Mundiais.

O principal nome dessa lista é Zózimo, nascido em Salvador. O ex-zagueiro é o único baiano bicampeão mundial pela Seleção Brasileira, tendo participado das conquistas das Copas de 1958, na Suécia, e 1962, no Chile. Aldair, natural de Ilhéus, é o outro campeão do grupo — ele integrou o elenco tetracampeão de 1994, nos Estados Unidos.

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Natural de Itapitanga, Bremer volta a disputar um Mundial após participar da Copa de 2022. Destaque no futebol italiano, o defensor passou por Atlético-MG, Torino e atualmente atua na Juventus, onde já soma mais de 100 jogos. Na edição do Catar, entrou em campo nas partidas contra Camarões e Coreia do Sul. Desde então, alternou convocações e enfrentou uma sequência de lesões graves no joelho. A trajetória profissional do zagueiro começou fora da Bahia, com passagens pelo Desportivo Brasil e base do São Paulo antes de se destacar no futebol mineiro e depois italiano.

O caso de Danilo Santos tem uma camada extra. Nascido em Salvador e formado inicialmente pelo Esporte Clube Bahia, o volante tem passagens pela equipe juvenil do Jacuipense e pelo profissional do Cajazeiras, antes de ganhar projeção nacional após ser contratado para as categorias de base do Palmeiras. No Alviverde, foi promovido ao profissional e construiu uma trajetória vitoriosa, conquistando duas Libertadores, uma Copa do Brasil, um Brasileirão, uma Recopa Sul-Americana e o Campeonato Paulista.

No Botafogo desde 2025, após uma temporada no futebol inglês defendendo o Nottingham Forest, Danilo tem contrato com o Alvinegro até julho de 2029. Convocado entre os 26 nomes, ele vai jogar o seu primeiro Mundial com a camisa amarela.

O fenômeno não é novo no futebol baiano. A tradição da Bahia na Seleção vem de muito tempo. Desde a Copa de 1950, o estado já revelou nomes históricos que ajudaram a escrever capítulos importantes do futebol brasileiro. O primeiro foi Maneca, atacante nascido em Salvador que esteve no Mundial realizado no Brasil. Mas o padrão se repete: o talento nasce no estado, é lapidado em outros centros e aparece para o país vestindo o amarelo da Seleção.

Além da representatividade estadual, os dois atletas também reforçam o protagonismo do Nordeste no futebol brasileiro e mundial. Ao todo, cinco jogadores nordestinos apareceram na lista final divulgada por Carlo Ancelotti. Para a Bahia, ver dois filhos do estado no Mundial é motivo de orgulho — mesmo que o futebol local ainda não tenha encontrado a fórmula de reter esses talentos até o profissional.

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