Torcedores de Bahia e Vitória que normalmente se provocam nas arquibancadas dividiram a mesma quadra numa noite de terça-feira em Salvador. O encontro não foi casual: era o símbolo de encerramento de um evento que reuniu mais de cem pessoas para discutir como tornar o esporte baiano mais seguro e acolhedor para a população LGBT+.
O encontro LGBT+Esporte aconteceu no dia 28 de julho, na Arena Real Brasil, dentro do Shopping da Bahia. A atividade foi promovida pela ORN (Orgulho Rubro-Negro), torcida organizada LGBT do Esporte Clube Vitória, em parceria com LGBtricolor, Tietas FC e Dendê FC, e reuniu coletivos, torcedoras e torcedores LGBT+ e representantes políticas em torno de uma pergunta comum: o que é preciso para que o esporte baiano seja um espaço de todas as pessoas.
Cada organização ocupou o espaço de fala para contar a própria história — como surgiu, como se mantém e o que precisa para se fortalecer. Foram relatos sobre a construção cotidiana de torcidas e times LGBT+ na capital, um trabalho sustentado com recursos próprios e articulação comunitária.
Os coletivos defenderam a criação e a ampliação de políticas públicas voltadas ao enfrentamento da discriminação e à promoção da diversidade no esporte. Segundo informações divulgadas pelo A Tarde, as propostas debatidas ao longo do evento serão organizadas pelas entidades participantes e servirão como base para futuras ações conjuntas em defesa de um esporte mais seguro e diverso na Bahia.
Para o diretor da ORN, Jener Mendes, a adesão expressiva ao encontro foi, por si só, uma resposta às dúvidas sobre a relevância da pauta. Segundo a fonte original, ele afirmou que "mais de cem pessoas atravessaram a cidade numa terça à noite para falar de esporte", destacando que os participantes saíram do evento com propostas concretas em mãos.
O encerramento da noite foi marcado por uma ação simbólica dentro de quadra. Rubro-negros e tricolores jogaram baba e baleado juntos — uma versão do clássico BaVi sem rivalidade. A LGBTricolor e a Orgulho Rubro-Negro trouxeram um novo significado para essa rivalidade histórica ao destacar a importância da representação da comunidade LGBTQ+ no cenário esportivo, mostrando que os rivais conseguem conviver em paz dentro e fora dos campos.
Não é a primeira vez que as duas torcidas se unem assim. Salvador já foi palco de um evento histórico anterior: o primeiro BAVI LGBT, uma partida amistosa que reuniu torcedores dos dois clubes, a maioria membros das torcidas LGBTQ+ do Bahia e do Vitória, a LGBTricolor e a Orgulho Rubro-Negro.
A LGBTricolor tem história consolidada nesse movimento. Criada em 2019, a torcida surgiu com o objetivo de promover inclusão e combater o preconceito nos estádios e, desde então, tem se consolidado como uma referência no país e até mesmo internacionalmente. Ao contrário de muitas torcidas tradicionais, o projeto baiano mantém um diálogo constante com a diretoria do Esporte Clube Bahia, participando de campanhas, eventos no estádio e lançamentos de produtos temáticos.
O evento também abriu espaço para que pessoas que não integram nenhum dos coletivos compartilhassem experiências e sugestões. Segundo a fonte original, todas as contribuições serão sistematizadas pelas organizações envolvidas e incorporadas à agenda conjunta que orientará iniciativas futuras pelo esporte inclusivo na Bahia.







