A polêmica sobre o preço dos ingressos para a partida entre Porto Sport Club e Vitória, válida pela terceira rodada do Campeonato Baiano, levou o presidente do time do extremo sul da Bahia a se manifestar. André Santos, conhecido como 'Negão', explicou em entrevista ao Bahia Notícias os motivos por trás dos R$ 100 cobrados pela entrada inteira, destacando que 'futebol não é fácil, custa caro'. O jogo, que terminou em 1 a 1, aconteceu no último domingo (18), em Porto Seguro, na Bahia.
Muitos torcedores rubro-negros mostraram insatisfação com os valores de R$ 100 para a entrada inteira e R$ 50 para a meia-entrada – esta última válida para os públicos previstos em lei e também para funcionários públicos municipais, estaduais e federais. André Santos detalhou que a definição desses preços levou em conta os altos custos operacionais do evento e o impacto financeiro limitado que a bilheteria tem no orçamento do clube.
Segundo o dirigente, dos valores arrecadados, quase 30% são direcionados para os custos com a Federação Bahiana de Futebol (FBF). Além disso, há despesas com segurança privada, equipes de apoio (staffs), bombeiro civil e a infraestrutura necessária. No fim das contas, menos de 45% da renda bruta sobra para o clube. Para se ter uma ideia, a renda bruta do jogo contra o Vitória foi de R$ 73.000,00, mas o valor líquido que realmente ficou para o Porto Sport Club foi de apenas R$ 31.000,00.
O presidente enfatizou que, mesmo com a presença de um clube de expressão nacional como o Vitória, a arrecadação líquida não foi suficiente para gerar um impacto relevante nas contas do Porto. Ele também contextualizou o modelo de gestão do Porto, que funciona como uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF), e as dificuldades financeiras de manter uma equipe profissional no interior do estado.
"O Porto Sport é uma SAF fundada por pessoas que moram em Porto Seguro, que tinham o desejo de montar uma equipe profissional em retribuição à cidade e seus esportistas, mas futebol não é fácil e é caro. Com os valores arrecadados em patrocínios, não se cobre 20% do custo mensal para manter o clube disputando campeonato com a infraestrutura necessária para obter bons resultados, dessa forma necessitando todo mês de aporte dos fundadores", explicou André.
O dirigente lembrou que o Porto chegou a considerar a troca do mando de campo para Salvador, no Estádio de Pituaçu, onde a arrecadação poderia ser significativamente maior. Contudo, o clube optou por manter a partida em Porto Seguro, pensando em prestigiar os torcedores locais e a região do extremo sul da Bahia.
"O Porto poderia ter trocado o mando de campo para Salvador, para o estádio de Pituaçu, e teria arrecadado dez vezes mais, mas preferimos manter o jogo em Porto Seguro para prestigiar nosso torcedor e o extremo sul da Bahia", revelou André Santos.
Na comparação com os preços praticados pelos grandes clubes na capital, o presidente argumentou que valores semelhantes, ou até maiores, são cobrados em Salvador, mesmo com estruturas financeiras mais robustas. "Em jogos do Bahia e do Vitória, em Salvador, os valores passam de R$ 120,00, e esses clubes têm estrutura financeira e lotam seus estádios", comparou.
André Santos destacou ainda que partidas contra clubes do cenário nacional, como o Vitória este ano e o Bahia no próximo, tendem a ser raras no calendário, acontecendo apenas uma vez ao ano com o novo formato do futebol brasileiro. Por isso, ele reforça a importância de o torcedor valorizar o que o clube vem fazendo pela cidade.
O presidente também lembrou que, em partidas anteriores, o clube acumulou prejuízos e precisou cobrir despesas com recursos próprios. Apesar de ainda não ter a estrutura ideal e de já ter recebido propostas de venda do clube que implicariam na saída da cidade – propostas essas que foram imediatamente recusadas –, André Santos reforçou que o Porto busca parceiros e patrocinadores para fortalecer a estrutura e manter a equipe em Porto Seguro.
"Infelizmente, ainda não temos a estrutura que queremos. Estamos buscando parceiros e patrocinadores para poder fazer o melhor pelo clube e ainda manter a equipe na cidade de Porto Seguro. Futebol não é fácil, custa caro, mas vamos continuar tentando fazer o melhor pelo Porto Sport Club e por aqueles que nos apoiam", concluiu.







