A cidade de Paulo Afonso, no norte da Bahia, às margens do Rio São Francisco, recebe entre sexta-feira (5) e o domingo (7) o 9º Festival Remo de Ouro Nacional, apontado por autoridades esportivas como um dos maiores eventos de dragon boat do país. A competição reúne 58 times e mais de mil participantes, incluindo atletas de projetos sociais baianos e equipes de outros estados do Brasil, como Ceará, Rio Grande do Sul, Sergipe e Alagoas, além de remadores locais da região de Paulo Afonso.
O festival é organizado a partir dos núcleos do projeto Dragon Boat mantidos pela Superintendência dos Desportos do Estado da Bahia (Sudesb), autarquia vinculada à Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre). Esses núcleos funcionam em Paulo Afonso, Salvador, Camamu e São Félix, atendendo mais de 600 pessoas, em sua maioria mulheres. Parte desse público é formada por mulheres sobreviventes do câncer de mama, que encontram na modalidade uma forma de reabilitação física e fortalecimento emocional por meio do esporte.
Pioneiro na implantação do dragon boat na Bahia e fundador da Associação Carranca Boat, o técnico Cesare Decarli reforça a dimensão da edição deste ano. Segundo ele, são 58 equipes inscritas, com mais de mil pessoas diretamente envolvidas nas baterias, na organização e nas apresentações do evento, que chega a 15 anos de prática consolidada em Paulo Afonso.
As provas são realizadas no balneário O Touro e a Sucuri, cartão‑postal da cidade e cenário tradicional das disputas do Remo de Ouro. Dos 58 times inscritos, 54 participam diretamente das baterias oficiais. Outras quatro equipes, compostas por pessoas idosas, usuários de Centros de Atenção Psicossocial (CAPs), crianças e jovens com transtorno do espectro autista (TEA) e pessoas com deficiência, fazem apresentações especiais em barco‑dragão, em caráter de inclusão e estímulo à prática esportiva. A previsão da organização é que esses grupos passem a integrar formalmente o projeto apoiado pelo governo estadual a partir do próximo ano.
O formato das disputas segue o padrão da modalidade: os barcos têm cerca de 13 metros de comprimento e podem receber até 22 integrantes — remadores, timoneiro e ritmista, responsável por marcar o ritmo das remadas com o tambor. Em Paulo Afonso, a raia é de 350 metros, e o resultado é definido pelo menor tempo no percurso, em séries classificatórias e finais disputadas ao longo dos três dias de festival.
A edição de 2025 do Remo de Ouro ocorre em um contexto recente de expansão do dragon boat na cidade. Em julho deste ano, Paulo Afonso sediou o ROAMA 2025 – Festival Dragon Boat do Nordeste para sobreviventes do câncer de mama, que reuniu remadoras de diversos estados em uma programação com palestras, oficinas e provas no Rio São Francisco. Na ocasião, a prefeitura destacou o caráter de saúde, inclusão e ocupação positiva dos espaços públicos associado à modalidade.
O histórico do Remo de Ouro também ajuda a explicar o atual alcance do evento. Em edições anteriores, como a de 2023, o festival já trazia a participação de núcleos da Melhor Idade, público infantojuvenil, mães atípicas e sobreviventes de câncer de mama da Bahia, Sergipe e Alagoas, além das equipes da Associação Carranca Boat. A continuidade da competição ao longo dos anos consolidou Paulo Afonso como referência regional em dragon boat e esporte aquático no São Francisco.
A importância do festival também se reflete na presença de dirigentes internacionais. A cidade recebe, nesta edição, o presidente da International Dragon Boat Federation (IDBF), o italiano Claudio Schermi. A participação da entidade que regula o esporte em nível mundial ocorre em um momento de projeção da modalidade no Brasil e antecede a realização do Pan‑Americano de Clubes de Dragon Boat, previsto para 2027 em Salvador. A competição continental será disputada na Praia da Penha, na Ribeira, e tem expectativa de reunir mais de 2 mil atletas de vários países, segundo a Confederação Brasileira de Dragon Boat, presidida por Rogério Xavier.
O dragon boat, modalidade originária de festivais tradicionais chineses reconhecidos como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco, combina prova de velocidade em barcos coletivos com elementos históricos e culturais. Em diferentes países, inclusive no Brasil, a prática vem sendo incorporada a projetos sociais, ações de promoção da saúde e eventos de turismo esportivo, com destaque para grupos de mulheres em tratamento ou em acompanhamento após o câncer de mama.
O 9º Festival Remo de Ouro Nacional ocorre de 5 a 7 de dezembro, no balneário O Touro e a Sucuri, em Paulo Afonso, com provas em percurso de 350 metros, curso de arbitragem em dragon boat, cerimônia de abertura e sessão especial na Câmara de Vereadores, que inclui homenagens e moções de aplauso a participantes e instituições envolvidas na organização.








