O cenário no Atlético de Alagoinhas está cada vez mais tenso. Após mais uma derrota no Campeonato Baiano de 2026, desta vez para o Galícia pela quinta rodada, o time saiu de campo cabisbaixo. Mas a repercussão maior veio fora das quatro linhas, com um desabafo forte do meio-campo Willian Kaefer, que escancarou as dificuldades que o clube enfrenta no dia a dia.
A situação é crítica: o Carcará ainda não conseguiu uma vitória sequer na competição, acumulando empates e derrotas que o deixam em uma posição delicada na tabela. A última partida, realizada no Estádio de Pituaçu, em Salvador, na Bahia, serviu de gatilho para o atleta expor publicamente a realidade por trás dos maus resultados.
"Precisamos de ajuda", desabafa Willian Kaefer
Em uma entrevista à TVE, Willian Kaefer não poupou palavras e fez um apelo direto à cidade de Alagoinhas, na Bahia, e às autoridades locais. Ele revelou problemas que muitos torcedores talvez não soubessem, principalmente sobre a falta de estrutura para os treinos.
"E aí, cidade de Alagoinhas? Prefeito, a galera aí. Vamos chegar com o Atlético de Alagoinhas, ou como é que vai ser? Porque a gente tem que falar para o nosso torcedor que a gente tem um estádio onde não podemos treinar. A gente tem que treinar atrás do gol, porque não podemos usar o campo. Tem um dono lá que a gente tem uma dificuldade do caramba pra poder treinar", disparou o jogador, visivelmente frustrado.
O meia foi além, questionando a falta de apoio a um clube que tem história e títulos no estado.
"Nunca vi um time de futebol, que só tem ele na cidade e se chama Atlético de Alagoinhas, ter dificuldade pra treinar no campo. Isso não é só o Kaefer que está falando, é só pesquisar. Vão demorar para ajudar o Atlético de Alagoinhas? Um time bicampeão baiano? Vão demorar por quê? Um time que já mostrou onde pode chegar, mas a gente precisa de ajuda. Já mostramos no passado o que a gente conseguiu fazer. Dá pra fazer, mas a gente precisa de ajuda", completou.
Kaefer também levantou um ponto crucial sobre a competitividade. Enquanto outros times do Campeonato Baiano conseguem reforços, o Atlético parece estar parado.
"Todo mundo está contratando. Até no Galícia chegou atleta. No Atlético não vai chegar? Não vão ajudar o Atlético e vamos ficar sozinhos nessa situação? Fica aqui o meu apelo. Quem é atleticano que chegue para ajudar, porque nós estamos sozinhos aqui dentro. Precisamos de ajuda", implorou o jogador.
Contrato milionário e falta de resultados
A situação atual do Atlético contrasta fortemente com o que se esperava no final do ano passado. O clube anunciou a venda de 90% das ações de sua SAF (Sociedade Anônima do Futebol) para a empresa TLS Sports, em um negócio avaliado em R$ 20 milhões, com potencial para chegar a R$ 60 milhões se metas forem batidas.
Com essa injeção de capital, a torcida e a diretoria esperavam uma temporada de recuperação e grandes resultados. Contratações de peso foram anunciadas, como a chegada do atacante Walter, conhecido por passagens marcantes em clubes como Goiás e Vitória, e o retorno do meia Miller. No entanto, até agora, esses investimentos não se traduziram em desempenho dentro de campo.
A campanha do Carcará no Baianão 2026 é desanimadora: um empate com o time alternativo do Vitória na estreia, derrota para o Barcelona de Ilhéus, outro empate com o Bahia de Feira, uma goleada sofrida para o Jequié, e o revés mais recente contra o Galícia. A série de resultados negativos apenas aumenta a pressão sobre o elenco e a comissão técnica, enquanto o grito de socorro de Willian Kaefer ecoa, pedindo que a história de glórias do clube não seja esquecida em meio às dificuldades atuais.







