Na Bahia, a torcida do Esporte Clube Vitória recebeu uma notícia que desapontou muitos rubro-negros que esperavam apoiar o time na final do Campeonato Baiano. A Justiça negou o pedido para que houvesse torcida mista no clássico Ba-Vi decisivo, mantendo a regra da torcida única. O mandado de segurança foi protocolado por líderes das torcidas organizadas Caravana Rubro Negra e Leão Chop, que buscavam reverter a decisão sobre o formato do jogo final.
Por que a torcida do Vitória queria mudança?
Os torcedores do Vitória não se conformam com a ideia de ver o time jogar a finalíssima sem o apoio da sua gente nas arquibancadas. Eles argumentaram à Justiça que a proibição da torcida visitante fere direitos básicos garantidos pela Constituição Federal. Isso inclui a liberdade de ir e vir, de se reunir e de expressar sua paixão pelo clube, além do princípio da igualdade.
Além das questões constitucionais, os representantes das torcidas apontaram um desequilíbrio esportivo gritante. Como a final do Campeonato Baiano será em jogo único, a ausência dos torcedores do Vitória daria uma vantagem integral ao Esporte Clube Bahia, que jogaria em casa com o apoio exclusivo de sua torcida. Para eles, isso impacta diretamente a competitividade do jogo mais importante do estadual.
Decisão judicial e o que vem por aí
Apesar dos argumentos, o Juízo da 5ª Vara de Fazenda Pública analisou o mandado de segurança e decidiu negar o pedido dos torcedores. Com isso, a final do Campeonato Baiano deve mesmo acontecer com torcida única, beneficiando o time mandante. É importante saber, contudo, que essa não é a palavra final: ainda cabe recurso contra essa decisão, abrindo uma pequena porta para que os rubro-negros ainda tentem reverter a situação.
Histórico de confusões e a torcida única
A medida de torcida única em clássicos Ba-Vi não é nova e tem um histórico de confusões por trás. A primeira vez que a recomendação apareceu foi depois de um clássico em abril de 2017, quando uma grande briga manchou o jogo. Em fevereiro de 2018, as duas torcidas voltaram aos estádios, mas o que se viu foi um caos ainda maior dentro de campo, com sete jogadores expulsos – cinco deles do Vitória – e problemas também fora do estádio.
Mesmo com tentativas de diálogo, a situação não evoluiu. No início de 2024, o Ministério Público da Bahia (MP-BA) chegou a organizar reuniões para discutir a volta da torcida visitante nos Ba-Vis. No entanto, essas conversas não trouxeram avanços concretos, mantendo a polêmica em torno da presença das duas maiores torcidas do estado nos estádios em jogos de rivalidade.
A expectativa agora fica por conta de um possível recurso e como as autoridades de segurança pública e a Federação Bahiana de Futebol (FBF) vão se posicionar diante da pressão dos torcedores e da história recente dos clássicos.







