O Grupo City, atual dono de 90% da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Esporte Clube Bahia, está em negociação para adquirir uma fatia ainda maior do clube. As conversas envolvem a compra de mais ações que hoje pertencem à Associação Civil, responsável por 10% da SAF. Embora o contrato preveja a opção de comprar até 5% adicionais, a negociação atual seria por um percentual menor.
A intenção do conglomerado é consolidar ainda mais sua presença e investimento no futebol brasileiro, mais especificamente no Tricolor baiano, um dos maiores clubes do Nordeste.
Reforço financeiro e estratégia de longo prazo
Para a Associação Civil do Bahia, a venda dessas ações pode trazer um reforço financeiro importante. A prioridade da atual gestão, comandada pelo presidente Emerson Ferretti, é usar o dinheiro para investir em diversas práticas esportivas do clube. Além disso, a Associação pode usar os recursos para quitar dívidas ou diversificar os esportes oferecidos, fortalecendo as bases para além do futebol profissional.
Atualmente, a Associação já conta com uma entrada mensal de dinheiro do Grupo City, que ajuda a cobrir suas despesas do dia a dia. Ela também recebe anualmente R$ 2,5 milhões em royalties pelo uso da marca do clube, que continua sendo propriedade do time social. É bom lembrar, porém, que a SAF do Bahia não distribuiu lucros em 2024 e 2025 por ter registrado prejuízo, o que significa que a Associação não recebeu sua parte dos dividendos nesse período.
O advogado Higor Maffei Bellini, mestre em Direito Desportivo pela PUC/SP, vê a negociação com bons olhos para os dois lados, destacando os benefícios estratégicos e financeiros.
"Essa venda é muito boa para ambos. Para o Grupo City, que está adquirindo mais ações, é bom pois consolida sua posição e é um selo de qualidade de que ele está fazendo uma boa gestão. Se não tivesse, o clube social não faria essa venda. Consolida seu trabalho bem feito e seu investimento no Brasil. Para a associação civil é um negócio que entra imediatamente valores no caixa dela para poder usar da melhor forma que quiser, seja em investimentos no clube, quitar dívidas, diversificar os esportes", explicou Bellini.
Próximos passos para a aprovação
Para que a venda das ações seja concretizada, ela precisa passar por duas aprovações importantes. Primeiro, o Conselho Deliberativo do clube social deve dar o seu aval. Em seguida, os sócios, que hoje somam cerca de 5 mil pessoas, precisam aprovar a proposta em uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE).
Vale lembrar que o Grupo City fez um investimento bilionário no Bahia. A compra da SAF, em 2023, foi fechada por R$ 1 bilhão, que será pago ao longo de 15 anos. Esse valor foi dividido com objetivos claros:
- R$ 500 milhões: destinados à compra de jogadores.
- R$ 300 milhões: para o pagamento de dívidas do clube.
- R$ 200 milhões: investidos em infraestrutura, categorias de base, capital de giro e outros projetos.
A possível aquisição de mais ações reforça o comprometimento do Grupo City com o Esporte Clube Bahia e pode abrir novas portas para o desenvolvimento do clube em diversas áreas, marcando mais um capítulo na relação entre o conglomerado e o time baiano.







