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Esportes

Flu de Feira renasce com SAF e aposta na base para o futuro

Após quase fechar as portas, o Fluminense de Feira encontrou na Sociedade Anônima do Futebol (SAF) e no investimento em sua base o caminho para a sustentabilidade, reerguendo estruturas e projetando novos talentos.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Esportes
03 de fevereiro, 2026 · 10:57 4 min de leitura
Foto: Acervo Pessoal / Bahia Notícias
Foto: Acervo Pessoal / Bahia Notícias

O Fluminense de Feira, um dos clubes mais tradicionais do futebol baiano, enfrentou nos últimos anos seu momento mais dramático. Sem estrutura, sem dinheiro e com dívidas que quase o levaram à falência, o “Touro do Sertão” estava à beira da extinção. A reviravolta veio com a criação da Sociedade Anônima do Futebol (SAF), um passo que não só garantiu a sobrevivência da instituição, mas também inaugurou um ambicioso projeto de reconstrução, com a base se tornando o principal pilar de sustentabilidade.

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Em outubro de 2023, um novo capítulo começou para o clube, sediado em Feira de Santana, na Bahia, quando a Core3 Tecnologia assumiu 90% da SAF. A empresa, liderada pelos sócios André Oliveira e Filemon Neto, aceitou o desafio de pagar uma dívida de R$ 5 milhões e se comprometeu com um investimento de R$ 20 milhões ao longo de duas décadas. O presidente da SAF, Filemon Neto, deixou claro em entrevista que, sem essa mudança jurídica, o clube simplesmente não existiria mais.

“Se a SAF não tivesse sido criada, não teria clube no ano posterior. O Fluminense chegou a um ponto em que não tinha mais ferramentas. Não tinha estrutura, não tinha recurso, eram dívidas intermináveis, tudo executado na Justiça. O clube realmente chegou ao fim”, explicou o gestor, sobre o cenário antes da transformação.

Um Centro de Treinamento reerguido do abandono

Ao assumir o controle, a SAF encontrou um cenário de completo abandono, especialmente no Centro de Treinamento. Filemon Neto descreveu a situação como desoladora, onde a falta de infraestrutura era visível e a credibilidade do clube, quase inexistente.

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“Assumimos o clube com muita dificuldade, sem credibilidade e sem recurso nenhum. O CT estava totalmente destruído; era praticamente um terreno baldio. Era aberto, as pessoas atravessavam por dentro como caminho, tinha animais lá dentro. A primeira coisa foi cercar o local e dizer: ‘Pronto, aqui agora é a nossa casa’”, relembrou Filemon Neto, detalhando os primeiros passos da recuperação.

A partir daí, uma série de reformas essenciais deu nova vida ao CT. Os campos e vestiários foram totalmente recuperados. Um departamento de Saúde e Performance foi montado, com a reconstrução da academia, reativação do departamento médico e a implementação de um setor de fisioterapia. Para a logística das equipes, os alojamentos foram reformados, o refeitório voltou a funcionar e o clube comprou um ônibus próprio, garantindo mais autonomia e dignidade para os atletas.

A base como o coração do novo Flu

Com a estrutura física reerguida, a SAF voltou sua atenção para a sustentabilidade financeira, adotando uma visão empresarial. Para Filemon Neto, a resposta para a perenidade do clube do interior é clara: investir pesado na divisão de base.

“Um clube do interior só tem um caminho para se tornar sustentável: investir na base. Não tem como honrar o orçamento anual baseado apenas em retorno de competição e patrocínio. É por isso que os clubes fecham”, pontuou o presidente, enfatizando a lógica por trás da estratégia.

Essa aposta na base vai além da estrutura. O Fluminense de Feira também investe na qualificação profissional. Recentemente, enviou seu coordenador da base para a Espanha, em um intercâmbio focado em observar métodos de formação e gestão de atletas. A ideia não é copiar, mas sim adaptar e aprimorar.

“Entendemos que investir só em estrutura não basta; é preciso investir em conhecimento. Não é para copiar ninguém. Nosso projeto é solo, é nosso. Mas você precisa conhecer o que está sendo feito de melhor no mundo para evoluir. Esse intercâmbio faz parte desse crescimento”, explicou o dirigente.

No “Novo Flu”, o setor de base hoje recebe mais investimentos do que o próprio futebol profissional, seguindo um projeto autoral de “fábrica de atletas”. Os resultados iniciais já superaram as expectativas: a meta era formar cinco atletas no primeiro ano, mas oito foram encaminhados para outras equipes.

Metas para o futuro:

  • Curto prazo: Formar 15 atletas por ciclo.
  • Médio prazo (a partir do 3º ano): Manter uma média de 25 a 30 atletas formados anualmente, tanto para negociação com grandes clubes quanto para integrar o elenco profissional do Touro.

A expectativa é que, a partir de 2028, no quinto ano do projeto, o Fluminense de Feira comece a colher os frutos financeiros e esportivos de forma consistente. “A partir daí, começamos a ter uma entrada anual de valores. Com o projeto rodando dessa forma, o Fluminense será sustentado pela base 100% do tempo”, concluiu Filemon Neto, vislumbrando um futuro de solidez e novos talentos para o clube.

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