O Esporte Clube Vitória deu um sonoro 'não' para uma proposta de patrocínio da montadora de carros BYD. A decisão, confirmada pelo presidente Fábio Mota, veio acompanhada de fortes críticas, classificando a oferta como "desrespeitosa com o povo baiano" e com o futebol nordestino.
A empresa chinesa, que recentemente abriu uma fábrica em Camaçari, na Bahia, tinha interesse em uma parceria com a dupla Ba-Vi, envolvendo tanto o Vitória quanto o Bahia. No entanto, a oferta feita ao rubro-negro não agradou, principalmente quando comparada ao que será pago ao Corinthians, de São Paulo.
Proposta Aquém do Esperado e Críticas à BYD
Segundo Fábio Mota, a BYD ofereceu ao Vitória apenas 10% do valor que vai desembolsar para patrocinar o Corinthians. Essa diferença gerou indignação no presidente do clube baiano.
“Há dois anos a BYD procura o Vitória, mas nunca fez uma proposta concreta para o clube. Acho um absurdo, porque a BYD tem fábrica aqui na Bahia, conta com isenção do governo do estado e vai patrocinar o Corinthians. Não é justo oferecer ao Vitória 10% do que será investido no Corinthians. Reconheço que o Corinthians tem torcida maior, mas a do Vitória não representa 10% da deles. O Vitória negou a proposta recebida e está aberto a retomar as negociações, desde que seja apresentada uma proposta respeitosa ao clube”, disse Fábio Mota, em entrevista ao Bahia Notícias.
Mota destacou a contradição da montadora, que se beneficia de incentivos fiscais no estado da Bahia, mas destina um valor consideravelmente menor a um clube local em comparação a um time do Sudeste. Ele enfatizou que, embora o Corinthians tenha uma torcida maior, a disparidade na proposta não reflete a realidade da torcida do Vitória, que certamente não equivale a apenas 10% da paulista.
Desafios do Futebol Nordestino e Indignação Regional
O presidente rubro-negro não poupou palavras ao contextualizar a dificuldade de fazer futebol no Nordeste. Ele apontou desafios logísticos, com viagens mais longas para os clubes da região, e a grande diferença nas folhas salariais, que podem ser até cinco vezes maiores para equipes do eixo Rio-São Paulo.
“É um absurdo oferecer a um clube baiano apenas 10% do que é destinado a um clube do Sudeste. Chega a ser desrespeitoso com o povo da Bahia. Fazer futebol no Nordeste já é difícil, tanto que na edição da Série A do ano passado, dos quatro rebaixados, três eram do Nordeste. Já enfrentamos dificuldades logísticas, o Vitória viaja três vezes mais em distância. Os clubes do eixo têm folhas salariais até cinco vezes maiores que a do Vitória. Quando surge uma empresa grande no seu estado, cria-se a expectativa de reconhecimento. Mas a proposta é indecorosa, oferecendo 10% do que está sendo investido em uma equipe do Sudeste. É uma falta de respeito com o povo baiano e com o futebol da Bahia”, concluiu Mota.
A fala de Fábio Mota ressalta a expectativa de que empresas instaladas na região, como a BYD em Camaçari, demonstrem maior reconhecimento e investimento no esporte local. A fábrica da BYD, vale lembrar, ocupa o antigo complexo industrial da Ford na cidade.
Outras Parcerias da BYD na Bahia e no Brasil
Apesar da recusa do Vitória, a BYD já tem outras parcerias de destaque no futebol brasileiro. A montadora, além do acordo com o Corinthians, firmou um contrato com o City Football Group (CFG), conglomerado que administra o Esporte Clube Bahia, rival do Vitória. A BYD inclusive já mostrou interesse em adquirir os naming rights do novo centro de treinamento do Bahia. Para o Vitória, a porta continua aberta, mas apenas para negociações que tragam uma proposta que reflita o valor e a história do clube e da sua torcida.







